June 16, 2008 / 1:16 PM / 9 years ago

ATUALIZA-UE diz que tratado não morreu após "não" da Irlanda

4 Min, DE LEITURA

(Texto atualizado com mais informações e detalhes)

Por Mark John e Ingrid Melander

LUXEMBURGO, 16 de junho (Reuters) - Os chanceleres dos países-membros da União Européia (UE) afirmaram na segunda-feira que manteriam vivo o tratado de reforma do bloco apesar da vitória do "não" em um referendo ocorrido na Irlanda, mas reconheceram não dispor ainda de um instrumento capaz de superar esse obstáculo.

O encontro mensal dos ministros das Relações Exteriores em Luxemburgo representou uma primeira oportunidade para começar a juntar os cacos depois do referendo de quinta-feira ter colocado em dúvida a sobrevivência de um pacto elaborado para incentivar o crescimento da economia da UE e aumentar o peso político dela no cenário internacional.

Os líderes da UE querem ouvir do primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, em uma cúpula a ser realizada nesta semana, em Bruxelas, se o dirigente vê alguma chance de vencer um novo referendo, uma possibilidade que as autoridades irlandesas não descartam, mas que consideram bastante arriscada.

A França e outros países argumentaram que a UE havia prejudicado seus esforços de reforma ao não conseguir dar uma resposta à insatisfação gerada pela alta dos alimentos e dos combustíveis. Alguns acreditam que a imagem do bloco sofrerá um novo abalo se os dirigente da UE não tratarem dessas questões na cúpula desta semana.

O ministro irlandês das Relações Exteriores, Michael Martin, insistiu ser "cedo demais" para elaborar propostas capazes de salvar um tratado que não entrará mais em vigor no dia 1o de janeiro, conforme o planejado.

"A decisão do povo precisa ser respeitada e nós precisamos descobrir uma forma de avançar. Não há nenhuma solução rápida", disse.

Por enquanto, os 26 parceiros da Irlanda dentro da UE não aceitam o "não" como uma respota definitiva. Com exceção da agora vacilante República Tcheca, todos os outros prometeram dar continuidade a seu processo de ratificação do tratado.

"O tratado não morreu. A UE sempre precisou administrar crises --a gente passa de uma crise para outra até, no final, encontrarmos uma solução", disse o chanceler finlandês, Alexander Stubb, a repórteres, observando que o bloco já havia sofrido outros reveses nas urnas.

Antes de o presidente da França, Nicolas Sarkozy, partir na segunda-feira em direção a Praga, o primeiro-ministro tcheco, Alexandr Vondra, pediu aos franceses que não aumentem as pressões sobre os outros oito países-membros que ainda não referendaram o pacto.

"Pode ser impossível aprovar o Tratado de Lisboa no Senado tcheco", disse Vondra, segundo o jornal Hospodarske Noviny.

A Grã-Bretanha afirmou que desafiará a pressão interna dos "eurocéticos" e completará o processo de ratificação pelo Parlamento, nesta semana. O ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, no entanto, disse: "Não vamos atropelar o governo irlandês ou o povo irlandês."

O Tratado de Lisboa pretende tornar mais ágil os mecanismos de tomada de decisão dentro do bloco e dar à UE um cargo permanente de "presidente", além de fortalecer o cargo de chefe da área de política externa, concedendo-lhe mais peso internacionalmente.

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