Depoimento de Jobim à CPI reforça disputa com general Félix

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 19:05 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A confirmação pelo ministro da Defesa Nelson Jobim à CPI dos Grampos de que a Abin tem equipamentos de escuta telefônica aumentou a disputa política entre ele e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), general Jorge Félix.

O embate surgiu depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em função de documento apresentado pelo ministro da Defesa segundo o qual a instituição teria equipamentos para fazer interceptações telefônicas. Félix e os diretores afastados da Abin negam que a agência tenha tal capacidade.

A crise foi causada pela denúncia de que agentes da Abin teriam grampeado autoridades dos três poderes.

Jobim reafirmou à CPI de Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara (CPI do Grampo) que o GSI teria encomendado à comissão de compras do Exército em Washington a aquisição desses aparelhos para a Abin.

"O Exército não comprou para si. Comprou a pedido do GSI", disse Jobim aos deputados que integram a comissão, depois de entregar à CPI uma cópia do documento produzido pelo Exército com a lista dos equipamentos adquiridos pela Abin.

O ministro da Defesa minimizou, entretanto, a importância da informação. Segundo Jobim, a causa do afastamento da cúpula da Abin foi a informação de que agentes da agência teriam participado da Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.

"A Abin não pode participar de investigações de crimes comuns. Os serviços de inteligência devem suprir o Palácio do Planalto com informações de interesse para a segurança nacional", acrescentou. "Não pode investigar crime comum. Logo, precisa ser investigada. Para ser investigada, tinha que ser afastado o corpo diretivo da Abin."

Perguntado pelos parlamentares se os integrantes da cúpula da Abin têm condições de retomar seus cargos, o ministro esquivou-se argumentando que não se deve condenar criminalmente as pessoas antes do devido processo legal e que a decisão da volta cabe ao presidente Lula. "Cada coisa em seu tempo", complementou.

Um dos momentos de tensão da CPI ocorreu quando o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) questionou se o ministro sabia do resultado da perícia feita por técnicos do Exército, a pedido do general Félix, para verificar se os equipamentos da Abin realmente podiam fazer grampos.   Continuação...