Decisão da gasolina é "balde de água fria" para setor de álcool

quarta-feira, 30 de abril de 2008 19:23 BRT
 

Por Inaê Riveras

RIBEIRÃO PRETO, 30 de abril (Reuters) - As decisões da Petrobras e do governo federal de elevarem o preço da gasolina e ao mesmo tempo reduzir o valor da Cide no combustível, para que o preço final na bomba não se altere, foi um "balde de água fria" para a indústria de álcool, afirmou nesta quarta-feira um diretor da associação que representa o setor.

Um aumento da gasolina na bomba era uma possibilidade de os preços do álcool subirem, já que para se manter competitivo frente ao derivado de petróleo o valor do biocombustível não pode passar de 60 a 70 por cento do da gasolina.

"O governo preferiu perder arrecadação de milhões de reais com a Cide a não expandir o mercado de álcool", afirmou o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues.

O preço do álcool está cerca de 25 por cento abaixo do que estava há um ano, principalmente pelo aumento gradual da produção, e em muitos casos chega a empatar com os custos de produção, segundo produtores.

Para Pádua, a decisão do governo não permite um aumento de renda ao setor nem uma expansão de mercado.

"Se o produtor não conseguisse aumentar o preço do álcool (após uma alta da gasolina) pelo menos poderia ampliar suas vendas para regiões em que hoje ele não é competitivo", afirmou ele à Reuters na Agrishow, maior exposição agrícola da América Latina, que acontece no interior paulista.

Para o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues a medida "não ajuda em nada" os preços baixos do álcool. Resta ao setor agora, segundo ele, lutar por medidas complementares como a redução do ICMS na venda do combustível de cana.

A saída para o mercado de álcool está no crescimento da demanda externa e na criação de um mercado mundial, disse Rodrigues durante a Agrishow.

(Edição de Marcelo Teixeira)