21 de Abril de 2008 / às 17:52 / em 9 anos

Hamas diz que aceitaria condicionalmente um plano de paz

Por Khaled Yacoub Oweis

DAMASCO (Reuters) - O grupo islâmico Hamas disse nesta segunda-feira que aceitaria a criação de um Estado palestino nos territórios ocupados por Israel na guerra de 1967 no Oriente Médio, mas que não está preparado para reconhecer o estado israelita.

Em um aparente abrandamento da posição do grupo, o líder do Hamas Khaled Meshaal confirmou um relato de suas declarações apresentado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter depois de duas reuniões realizadas em Damasco no fim de semana.

“Aceitamos um Estado nos termos do 4 de junho, tendo Jerusalém como sua capital, dotado de soberania real e com o direito pleno de retorno dos refugiados, mas sem reconhecer Israel”, disse Meshaal a jornalistas, referindo-se aos limites anteriores à guerra de 1967.

Meshaal, que Carter quer incluir nas negociações de paz com o presidente palestino Mahmoud Abbas e Israel, disse que seu grupo islâmico “respeitaria a vontade nacional palestina, mesmo que ela contrariasse nossas convicções”.

Em discurso feito em Jerusalém, Carter disse que os líderes do Hamas lhe transmitiram que “aceitariam um Estado palestino nos termos de 1967, desde que aprovado pela população palestina”. Ele se referia à Cisjordânia ocupada e à Faixa de Gaza, e a um referendo sobre um acordo que Washington espera fechar ainda este ano.

“Isso quer dizer que o Hamas não vai solapar os esforços de Abbas de negociar um acordo e que o Hamas aceitará um acordo se os palestinos o ratificarem num pleito livre”, disse ele.

Mas Carter disse que Meshaal, com quem se reuniu na sexta-feira e no sábado e que telefonou na segunda-feira para discutir as objeções dos EUA e de Israel, rejeitou seu apelo por um cessar-fogo unilateral com Israel para pôr fim à violência que coloca em risco os esforços para a paz.

“Fiz o melhor que pude em relação a isso”, disse Carter, falando de seu fracasso em persuadir o Hamas a suspender os disparos de foguetes desde a Faixa de Gaza, que está sob seu controle desde que o Hamas expulsou o movimento secular Fatah, de Mahmoud Abbas, do território.

Carter disse que o entendimento ao qual chegou com o Hamas prevê um referendo a ser precedido pela reconciliação entre o Hamas e o Fatah. O Hamas tomou a Faixa de Gaza do Fatah em junho, e Abbas exige o retorno do território ao controle do movimento.

Um representante oficial do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, disse que os refugiados palestinos que vivem no exílio precisariam participar do referendo. Essa condição pode reduzir as chances de aprovação do entendimento, já que Israel se opõe ao retorno em massa dos refugiados ao que hoje é o Estado judaico.

Abu Zuhri também observou que o Hamas considerará qualquer Estado palestino futuro criado na Cisjordânia e Faixa de Gaza como “de transição”.

Falando com jornalistas mais tarde, Carter disse que os líderes do Hamas com quem se reuniu “não falaram nada sobre Estado de transição”.

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