Bolívia aprova nova Constituição em meio a distúrbios

domingo, 25 de novembro de 2007 11:30 BRST
 

Por David Mercado

SUCRE, Bolívia (Reuters) - Pelo menos um manifestante morreu no sábado na cidade boliviana de Sucre, numa série de distúrbios que lançaram uma sombra sobre a aprovação por maioria absoluta da nova Constituição boliviana.

Os enfrentamentos entre civis e policiais e a votação da Assembléia Constituinte, da qual a maior parte da oposição não participou, aumentaram a tensão em Sucre, cidade do sul da Bolívia que reivindica ser a "capital plena" do país, ou sede de todo o governo nacional.

"Todo o texto da Constituição Política do Estado foi aprovado por unanimidade", disse a jornalistas a presidente da Assembléia, Silvia Lazarte. O texto provisório da nova Constituição, compromisso-chave do presidente Evo Morales, agora terá que ser debatido de forma detalhada e ratificado pela maioria da população.

O anúncio do resultado da votação noturna, feito após deliberações constituintes realizadas no sábado num instituto técnico militar de Sucre, se deu após violentos choques entre manifestantes e policiais que faziam a segurança em torno do recinto provisório da Assembléia.

De acordo com testemunhas, os manifestantes foram reprimidos quando tentaram romper o cerco policial em volta do edifício militar, situado a cerca de cinco quilômetros do centro de Sucre. Uma fonte médica disse que pelo menos um manifestante morreu de ferimento a bala e que havia mais de cem feridos, tanto civis quanto policiais.

"Isto não estava dentro de nossas previsões, tanto que considerávamos que a calma, a prudência e a sensatez reinariam em Sucre", disse em La Paz o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana.

Citando médicos do hospital Santa Bárbara de Sucre, a rádio local Erbol informou que um jovem de 29 anos morreu e muitos outros ficaram feridos nos enfrentamentos.

Os protestos aconteceram em meio a uma luta de poder entre Evo Morales e seus rivais conservadores, que querem mais autonomia para as regiões que governam e que também apóiam a proposta de mudança da capital.

Sucre é nominalmente a capital da Bolívia, mas abriga apenas o poder Judiciário, sendo que o Legislativo e o Executivo têm suas sedes em La Paz.

A oposição de direita reiterou no sábado seu chamado à "desobediência civil" nas regiões do leste que governa, onde o sentimento contrário ao governo é forte, e prometeu ignorar a nova Constituição.

 
<p>Pelo menos um manifestante morreu no s&aacute;bado em Sucre, numa s&eacute;rie de dist&uacute;rbios que lan&ccedil;aram uma sombra sobre a aprova&ccedil;&atilde;o por maioria da nova Constitui&ccedil;&atilde;o. Foto de manifestantes passando em frente a um cartaz que diz 'Evo assassino' em Sucre, 25 de novembro. Photo by David Mercado</p>