Cubanos apostam em Obama para que haja mudanças

segunda-feira, 16 de junho de 2008 10:54 BRT
 

Por Jeff Franks e Rosa Tania Valdés

HAVANA (Reuters) - Os cubano-americanos da Flórida sempre votaram em massa nos republicanos, mas, a 140 quilômetros de distância dali, muitos cubanos esperam que as coisas ocorram de forma diferente neste ano de eleições presidenciais.

Os moradores da ilha caribenha seguem de perto o pleito disputado nos EUA e, cansados da política de linha-dura do governo do atual presidente norte-americano, George W. Bush, oferecem uma audiência receptiva às promessas de mudança feitas pelo candidato democrata na corrida, Barack Obama.

Obama prometeu tornar menos rígido o embargo comercial imposto pelos EUA contra Cuba há 46 anos e dar início a negociações com o governo cubano, gerando esperanças sobre uma abertura nas relações com os norte--americanos e sobre uma melhora na qualidade de vida dos cubanos.

Em conversas nas ruas, em reuniões de negócios e em eventos sociais, muitos cubanos perguntam sobre as eleições nos EUA e logo afirmam apoiar o candidato democrata, rechaçando o adversário dele na disputa, o republicano John McCain.

"Eu sou pelo Obama. O Obama quer buscar formas de realizar um diálogo e isso seria bom para os cubanos. Para ter um pouco de esperança, é preciso torcer para isso", afirmou Manuel Echevarría, 55, supervisor em um hospital de Cuba.

"Obama representa uma forma totalmente diferente de ver as coisas. Primeiro, essa seria a primeira vez em que um negro chegaria ao poder (nos EUA) e, segundo, o mundo precisa mudar", disse Hugo Hernández, estudante de direito.

O próprio ex-presidente cubano Fidel Castro fez alguns comentários positivos a respeito de Obama. Na coluna que publica em um jornal de Cuba, Fidel afirmou que ele "é, sem dúvida, do ponto de vista social e humano, o mais avançado dos candidatos à Presidência dos EUA".

No entanto, ao mesmo tempo, o ex-dirigente atacou Obama por criticar o governo cubano devido à falta de respeito aos direitos humanos na ilha. Fidel, de toda forma, reconheceu que, se o democrata "defendesse o governo cubano, faria um enorme favor a seus adversários".