EUA vêem risco de instabilidade em Cuba pós-Fidel

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008 19:14 BRT
 

Por Randall Mikkelsen

WASHINGTON, 27 de fevereiro (Reuters) - A instabilidade pode aumentar em Cuba dentro de seis meses, após um período de calma inicial após a aposentadoria de Fidel Castro, disseram chefes de inteligência dos EUA na quarta-feira ao Congresso.

As autoridades dizem não prever mudanças no regime comunista da ilha sob o comando de Raúl Castro, o novo presidente, que nomeou membros da velha-guarda para os principais cargos.

As autoridades de inteligência compararam a atual transição cubana às mudanças de liderança que mantiveram o comunismo após a Revolução Soviética, várias décadas atrás. Mas há expectativas de que uma maior abertura na mentalidade política dos jovens poderia levar a mudanças.

"A situação política provavelmente vai permanecer estável pelo menos durante os meses iniciais, agora que Fidel Castro entregou o poder ao seu irmão Raúl", disse o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Michael McConnell, em audiência na Comissão de Serviços Armados do Senado.

Na avaliação dele, os subsídios econômicos da aliada Venezuela ajudam a conter a pressão imediata sobre o governo cubano, mas tropeços na política ou crises administrativas podem gerar instabilidade.

A própria transição pode despertar desejos de mudanças, segundo o general Michael Maples, chefe da Agência de Inteligência de Defesa.

"É algo que precisamos observar nos próximos seis ou sete meses", disse Maples à comissão. "Pode haver uma expectativa por parte da população em ver para onde irá uma nova Presidência, e a falta de resultados pode aumentar as preocupações."

McConnell disse que, ao menos por enquanto, não há sinais de uma onda migratória iminente, o que sempre preocupa os políticos dos EUA, especialmente na Flórida, principal destino dos exilados.

"O que estamos vendo em Cuba não é diferente, em certa medida, do que testemunhamos na Rússia --a velha geração se apegando (ao poder)", disse ele.

A chave seria a quarta geração pós-revolucionária. "(Os jovens cubanos) estão com novos pensamentos, estão fazendo perguntas difíceis. Então como passar da primeira geração da revolução para a quarta geração? Minha preocupação é que haverá alguma instabilidade nesse processo."