Aliança PT-PSDB em BH atrapalha projetos de poder, diz Aécio

sexta-feira, 24 de outubro de 2008 18:58 BRST
 

BELO HORIZONTE, 24 de outubro - O governador Aécio Neves (PSDB) afirmou nesta sexta-feira que a aliança entre tucanos e petistas na capital mineira enfrentou forte resistência porque desagrada a "outros projetos políticos".

Cercado de simbolismos em evento de campanha do candidato Marcio Lacerda (PSB), em torno do qual foi feita a coligação, Aécio avaliou que já era esperada uma resistência à "união de Minas."

"Nós assistimos nesse processo alguns atores políticos, dirigentes de partidos nacionais, em especial do PT, demonstrando claramente que preferem a manutenção desse maniqueísmo que coloca em um extremo do espectro político o PSDB e no outro o PT, numa disputa exclusivamente pelo poder", afirmou o governador, considerando que essa disputa deixa as pessoas sem entender quais as diferenças fundamentais entre esses projetos.

Aécio não citou quem representaria esses "outros projetos políticos", mas Lacerda foi incisivo e referiu-se diretamente a São Paulo. O governador José Serra, de São Paulo, é o principal adversário de Aécio na disputa pela indicação do PSDB do candidato do partido à Presidência em 2010.

"Esses dois homens públicos (Aécio e Pimentel) se uniram para um projeto de Belo Horizonte, um projeto que tem um conteúdo político pelo que representa de convergência de forças que foram adversárias no passado", disse Lacerda.

"Na medida em que isso representa uma afirmação dos valores de Minas Gerais no cenário nacional, encontra resistências fora, principalmente em São Paulo. Mas Belo Horizonte saberá entender que essa oposição não tem uma boa fundamentação ética, no sentido da boa política", completou o candidato.

O ato de campanha foi realizado na Praça JK, em bairro de área nobre da capital mineira, com a presença de Maria Estela Kubitschek, filha do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

"Juscelino e Tancredo estão aplaudindo o que estamos fazendo aqui", disse Aécio, referindo-se também ao seu avô, Tancredo Neves. "É o novo e isso certamente contraria alguns outros interesses, porque quando Minas está unida, Minas é sempre muito forte", sentenciou.

Também presente ao ato, o prefeito Fernando Pimentel evitou polemizar sobre a questão e disse apenas que pretende negociar com petistas que foram contrários à aliança com os tucanos para tentar unir novamente o partido.

"Passada a eleição, obviamente nós vamos conversar com todo mundo e aparar alguma possível aresta que tenha ficado. Da minha parte, não tenho problema com nenhum desses personagens, são todos meus amigos", afirmou.

(Reportagem de Marcelo Portela, Edição de Mair Pena Neto)