Dilma se solidariza com Lacerda, mas fica fora da campanha em BH

sexta-feira, 17 de outubro de 2008 16:45 BRT
 

BELO HORIZONTE, 17 de outubro (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se solidarizou com o candidato do PSB à prefeitura da capital mineira, Marcio Lacerda, mas ressaltou que não participará da campanha na cidade devido a um acordo com partidos da base aliada do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Lacerda foi acusado pelo adversário Leonardo Quintão (PMDB) de ser um assaltante comum ao ser preso durante o regime militar. "Também fui presa política e lutei contra a ditadura", disse a ministra. "Se o Leonardo Quintão afirmou isso, é desconhecimento dele", acrescentou.

Depois da declaração do peemedebista, aliados de Lacerda pretendem fazer um ato de desagravo em Belo Horizonte e queriam contar com a presença de Dilma. A ministra afirmou, porém, que há um acordo do presidente com os partidos da base aliada - o PMDB é o maior deles - para que os ministros mais próximos da presidência se mantenham fora das eleições municipais.

"Em locais onde há divisão da base de governo, basicamente Belo Horizonte e Salvador, ministros que não são do Estado não participarão", disse Dilma. Ela também fez elogios à base aliada e, em especial, à candidata derrotada para a prefeitura da capital, Jô Moraes (PCdoB).

Dilma esteve em Contagem, na Grande Belo Horizonte, para gravar depoimento de apoio à candidata à reeleição, a petista Marília Campos, que concorre com Ademir Lucas (PSDB). Depois da gravação, ela participou de um café com empresários, também organizado pela candidatura.

No evento, ela fez questão de reafirmar que o Brasil está preparado para os efeitos da crise financeira global. "Não somos autistas. Nós não achamos que a crise não chegue ao Brasil sob uma forma ou sob outra. Mas temos condições de lutar para que essa situação seja minimizada. Não tenha os efeitos destruidores que teve no passado", salientou.

Segundo a ministra, o país está mais forte para enfrentar turbulências internacionais. "Antes, quando havia uma crise, o governo quebrava. Quatro dias depois de uma crise internacional ele quebrava, porque não tinha reservas, não tinha diversificado relações comerciais e não tinha apostado em seu mercado interno", avaliou.

(Reportagem de Marcelo Portela, Edição de Mair Pena Neto)