November 13, 2007 / 7:17 PM / 10 years ago

Brasil busca ajuda de secretário-geral da ONU para a Amazônia

4 Min, DE LEITURA

Por Raymond Colitt

BELÉM (Reuters) - Sob a imponente copa de uma árvore amazônica, autoridades e índios brasileiros pediram na terça-feira ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, que angarie apoio internacional para a proteção da maior floresta tropical do mundo.

"Precisamos que o secretário ajude a converter a boa vontade internacional em mecanismos concretos que beneficiem os moradores da Amazônia", disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sob uma samaúma centenária, a 30 minutos de barco de Belém.

A capital paraense é a última escala de Ban em sua visita à América do Sul e à Antártida, cujo tema principal foi o possível impacto do aquecimento global.

"Peço humildemente ao senhor que ajude a criar incentivos para que nós e outros povos da floresta possamos subsistir aqui", disse o líder indígena Marcos Apurinã. Ban recebeu um colar de sementes nativas e viu outros produtos da floresta, como mel e artesanatos.

O sul-coreano respondeu que "a ONU ficará ao lado de vocês", pois "este é um patrimônio comum de toda a humanidade".

Ban percorreu uma trilha curta pela floresta na ilha de Combu, no rio Guamá. Ainda em Belém, ele havia tido a oportunidade de acariciar uma preguiça e de plantar duas árvores nativas no jardim botânico local.

Em dezembro, Ban será o anfitrião de uma reunião em Bali (Indonésia) destinada a iniciar as negociações para um tratado climático que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. O Brasil é o quarto maior emissor de carbono do mundo, em grande parte devido à devastação da Amazônia, segundo organizações ambientalistas.

Ban não comentou a recusa brasileira em adotar metas para reduzir o desmatamento e as emissões de carbono. Mas ele elogiou o país por seus esforços de preservação, que fizeram com que o ritmo da devastação caísse 50 por cento em dois anos, embora tenha voltado a subir desde agosto.

A Amazônia libera dióxido de carbono acumulado quando suas árvores são queimadas ou se decompõem, o que contribui com o aquecimento global.

Marina pediu a Ban que tente convencer os países ricos a aceitarem a proposta, levada à Convenção sobre a Biodiversidade, para que laboratórios farmacêuticos tenham de pagar para produzir medicamentos derivados de plantas medicinais amazônicas.

"Ele ouviu e disse que iria estudar a proposta", disse Marina na noite de segunda-feira, após encontro com Ban.

Cientistas dizem que o aquecimento global pode transformar parte da Amazônia em um cerrado semi-árido dentro de algumas décadas.

Os extremos climáticos já provocam secas em alguns lugares e inundações em outros. Um passeio de Ban num barco nos arredores de Santarém foi cancelado devido ao baixo nível do leito do rio.

Ban elogiou o Brasil por sua liderança no desenvolvimento de biocombustíveis, mas disse que é necessário haver mais pesquisas internacionais sobre o possível impacto da produção em larga escala sobre o cultivo de alimentos.

No fim de semana, ele visitou uma usina de álcool no Estado de São Paulo.

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