Dilma defende manutenção "irremediável" do combate à pobreza

segunda-feira, 8 de setembro de 2008 18:49 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou na segunda-feira que os esforços para a erradicação da pobreza devem ser mantidos, acenando para compromissos de um futuro governo.

No mesmo dia em que um jornal argentino publicou entrevista na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que seu sucessor poderá ser uma mulher, Dilma defendeu a permanência da luta contra a desigualdade social.

"É impossível, no mundo moderno, e principalmente neste momento, se pensar num país de 190 milhões de habitantes sem, de forma irremediável, lutar para que esses brasileiros sejam consumidores, trabalhadores ou empresários", afirmou.

Dilma é apontada como possível candidata à sucessão de Lula e sua indicação se reforça com declarações como a que o presidente deu ao jornal Clarín.

"Com muita humildade, digo que vou eleger meu sucessor. Não posso dizer quem é, mas posso assegurar que há muitas possibilidades de que seja uma mulher", disse Lula.

Em discurso durante a cerimônia de abertura do seminário em comemoração aos 200 anos do Ministério da Fazenda, Dilma lembrou aos presentes que é a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado ano passado pelo governo com o objetivo de destravar o desenvolvimento do país.

Citando o exemplo dos servidores do Ministério da Fazenda, disse que o funcionalismo público deve ser profissional para que o Estado consiga planejar seu futuro e executar suas políticas.

"O PAC é um dos primeiros degraus para os próximos anos no que se refere a uma política sistemática de investimentos no Brasil", afirmou Dilma.

Assim como demonstrou preocupação com os menos favorecidos, a ministra também se dirigiu ao mercado, defendendo o respeito aos contratos, e ainda acenou aos adversários políticos, afirmando que a atual situação do país também se deve a medidas adotadas por governos anteriores. O evento contou com ex-ministros da Fazenda ligados a diversos partidos.

"Se nós não tivermos essa perspectiva histórica do passado, certamente também não conseguiremos pensar o futuro", disse ela. (Reportagem de Fernando Exman)