Parlamento escolhe sucessor de Fidel e Raúl é o favorito

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 19:28 BRT
 

Por Anthony Boadle

HAVANA (Reuters) - A Assembléia Nacional cubana se reúne no domingo para eleger o sucessor do presidente Fidel Castro, e pouca gente aposta em outro nome que não o de Raúl Castro.

O irmão mais novo de Fidel já governa interinamente desde que o veterano revolucionário adoeceu, em julho de 2006, e o cenário está preparado para sua efetivação no cargo.

Raúl, 76 anos, é o ministro de Defesa há mais tempo no cargo em todo o mundo e sua escolha é óbvia para um governo que se sente ameaçado pela administração Bush num momento vulnerável de perda da liderança carismática de Fidel.

"Mais do que nada, Raúl significa estabilidade e continuidade num momento de grande ansiedade e incerteza", disse Frank Mora, especialista em Cuba da Escola Nacional de Guerra, em Washington.

Fidel, de 81 anos, anunciou sua aposentadoria em mensagem divulgada na terça-feira, alegando que não tinha mais saúde para buscar um novo mandato. Mas ele continuará sendo o primeiro-secretário do Partido Comunista.

Os cubanos elegeram no mês passado os 614 deputados -- entre eles Fidel -, aos quais cabe aprovar na sessão de domingo de manhã uma lista de 31 membros do Conselho de Estado, principal órgão executivo do país, dirigido por um presidente, um primeiro-vice-presidente e cinco outros vices de segundo escalão.

Teoricamente, a presidência poderia ir para uma liderança mais jovem, como o vice-presidente Carlos Lage, mentor das reformas econômicas na década de 1990, quando o fim da União Soviética mergulhou a ilha numa grave crise.

Mas a maioria dos observadores duvida de uma transição tão ousada e prevêem que Lage, de 56 anos, será reconduzido à vice-presidência, com papel de gerir o dia-a-dia do governo.

"Acho que há uma boa chance de que Carlos Lage se torne primeiro-ministro real ou 'de fato', e uma chance marginal de que se torne presidente, com Raúl mexendo todos os pauzinhos nos bastidores", disse Brian Latell, ex-analista da CIA e autor de um livro chamado "Depois de Fidel."

Uma reforma ministerial será decidida posteriormente pelo Conselho de Estado, cujos membros têm mandato qüinqüenal. A composição do novo conselho e a participação de reformistas serão fatores que podem predeterminar os rumos do país nos próximos anos.