Secretária dos EUA chega à África para discutir crises de países

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007 09:56 BRST
 

Por Sue Pleming

ADIS ABEBA, 5 de dezembro (Reuters) - A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, desembarcou na quarta-feira na Etiópia para discutir com líderes africanos as crises que se arrastam há anos na região dos Grandes Lagos, na Somália e no Sudão.

Esta é apenas a segunda viagem dela em dois anos à África Sub-Saariana. A visita a Adis Abeba, onde fica a sede da União Africana, vai durar 24 horas, período em que ela manterá várias reuniões, inclusive com líderes de Uganda, Burundi e Ruanda, além de ministros da República Democrática do Congo.

"Estou cada vez mais preocupada com os vários pontos de crises na África", disse ela a jornalistas que a acompanham na viagem.

Rice pretende desenvolver estratégias conjuntas com os governos locais para lidar com "forças destrutivas", como as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda, composta por figuras ligadas ao genocídio de 1994, o Exército de Resistência do Senhor, de Uganda, ou o general rebelde Laurent Nkunda, da etnia tutsi.

Nas reuniões que manterá com autoridades sudanesas, Rice deve manifestar apoio ao recente acordo de paz norte-sul, que corre o risco de se esfacelar, mergulhando o país novamente numa guerra civil plena.

A secretária deve discutir também a demora no envio de uma força de paz da ONU e da União Africana para Darfur, e reiterou a frustração dos EUA com os obstáculos colocados pelo governo sudanês à chegada das tropas internacionais, cujo objetivo é controlar um conflito que, segundo a ONU, já matou 200 mil pessoas.

"Sempre fomos céticos porque já vimos esse filme várias vezes", disse ela, referindo-se aos constantes entraves sudaneses à chegada dos 26 mil soldados, que deveriam estar em Darfur ainda neste ano -- o que não ocorrerá.

Rice disse que já conversou com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, sobre a demora, e que está pressionando também o Egito e a Arábia Saudita, que têm influência sobre o governo sudanês.

A secretária também vai se encontrar com o novo primeiro-ministro somali, Nur Hassan Hussein, a quem pedirá maior inclusão de adversários dele na formação do seu frágil gabinete.