Pela 1a vez após o Katrina, furacão pode esvaziar Nova Orleans

quarta-feira, 27 de agosto de 2008 15:55 BRT
 

Por Kathy Finn

NOVA ORLEANS (Reuters) - Três anos depois do furacão Katrina, a população de Nova Orleans se prepara na quarta-feira para a possibilidade de uma nova retirada, devido à aproximação da tempestade Gustav.

Em 29 de agosto de 2005, as barragens que protegem Nova Orleans se romperam por causa do Katrina, inundando 80 por cento dessa cidade, famosa pelo Carnaval e pelos clubes de jazz. Houve quase 1.500 mortes em toda a costa sul dos EUA, e os prejuízos chegaram a 125 bilhões de dólares.

A tempestade Gustav, que está próxima de Cuba, deve entrar no fim de semana pelo Golfo do México, já como furacão. O governador da Louisiana, Bobby Jindal, disse que a retirada da população pode começar a partir de sexta-feira --justamente o aniversário da devastação.

O governador já acionou a equipe de reação a catástrofes, colocou a Guarda Nacional local em alerta e pode declarar estado de emergência na quinta-feira.

"Precisamos todos estar preparados para responder, desde o nível dos cidadãos e em todos os níveis de governo", disse o governador, eleito em 2007, que tenta evitar as críticas que recaíram sobre sua antecessora, Kathleen Blanco, pela demora na reação ao Katrina.

Na época, houve uma irada reação popular também à prefeitura de Nova Orleans, a órgãos federais e ao presidente George W. Bush, que inicialmente vistoriou o desastre apenas do alto, sem descer do helicóptero.

Após o Katrina, houve caos em Nova Orleans. Em alguns bairros, moradores passaram dias ilhados nos seus telhados. Em meio a uma onda de saques, muita gente fugiu para não mais voltar.

Na quarta-feira, Gustav se afastou do Haiti e da República Dominicana depois de matar 16 pessoas. Meteorologistas dizem haver grande probabilidade de que a tempestade vire furacão e atinja um trecho do litoral que vai da costa noroeste da Flórida até o Texas --o que inclui Nova Orleans.

Jindal disse que, se a ameaça persistir, o Estado mobilizará 700 ônibus para retirar a população, iniciando na sexta-feira por pessoas com necessidades especiais de saúde. Os demais moradores da costa sul foram aconselhados a preparar seus próprios planos de emergência e aguardar orientações.