Alcatel precisa enxugar atividades ou apostar em recuperação

quarta-feira, 1 de outubro de 2008 14:42 BRT
 

Por Nathalie Meistermann

PARIS, 1 de outubro (Reuters) - A nova administração da Alcatel-Lucent ALUA.PA precisa tomar agora uma decisão há muito adiada quanto a vender divisões deficitárias, a fim de estimular rapidamente as margens de lucro, ou manter a ampla base de receita da fabricante de equipamento de telecomunicação, agüentando firme à espera de uma melhora em seus mercados.

O novo presidente-executivo, Ben Verwaayen, tem de fazer essa escolha em meio a uma compressão mundial de crédito que está fazendo com que as operadoras mundiais de telecomunicações, as principais clientes do grupo, sofram escassez de recursos de curto prazo para financiar investimentos.

Odon de Laporte, analista da CA Cheuvreux, disse que "não temos um ambiente promissor. Os alertas quanto a problemas de lucros começam a crescer".

As concorrentes norte-americanas da Alcatel-Lucent, como a Ciena CIEN.O e a Nortel Networks NT.TO, no mês passado reduziram suas projeções de receita, alegando que as operadoras de telefonia estavam adiando seus pedidos, e a Nortel disse que poderia vender sua divisão de rede Ethernet a fim de reduzir sua exposição ao mercado mais amplo.

"Em nível macroeconômico, a escassez de crédito vai gerar problemas de financiamento para as operadoras, que desacelerarão os seus investimentos", disse Laporte.

Verwaayen declarou na segunda-feira que acredita que a empresa esteja se saindo bem, mas, quando a Alcatel reportou pesados prejuízos no segundo trimestre, em julho, atribuiu a culpa à queda nos investimentos de empresas norte-americanas, e afirmou que a tendência poderia se expandir à Europa.

A despeito dos persistentes rumores, porém, a maior parte dos analistas não espera que a Alcatel-Lucent reduza sua projeção de resultados anuais, que já são modestas.

A empresa informou que antecipa queda de entre 2 por cento e 5 por cento, em um mercado estagnado, e margem operacional de lucro também de entre 2 por cento e 5 por cento.

Mas embora a empresa deva cumprir suas projeções de margem, "continua muito fraca", disse Patrice Cochelin, analista da Standard & Poor's, para o qual a culpa é da ampla carteira de produtos do grupo.

"A carteira atual produz margens tão fracas, o que, com grande perda de caixa (mais de 700 milhões de euros queimados nos últimos 12 meses), levanta dúvidas", disse.