27 de Outubro de 2008 / às 02:08 / 9 anos atrás

CONSOLIDA-Kassab dedica vitória a Serra; derrota isola Marta

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 26 de outubro (Reuters) - A vitória de Gilberto Kassab para exercer um novo mandato em São Paulo neste domingo revigora o DEM, que não venceu em nenhuma outra capital do país, transforma o prefeito em líder da legenda e dá impulso ao projeto presidencial do governador José Serra (PSDB), patrocinador de sua candidatura.

Kassab e Serra atribuiram o êxito da campanha à qualidade da gestão da cidade, que começaram juntos há quase quatro anos.

O prefeito, em terceiro lugar no início da campanha eleitoral, derrotou Marta Suplicy (PT), candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no segundo turno por 60 por cento a 39 por cento dos votos válidos. No primeiro turno, deixou para trás Geraldo Alckmin, candidato oficial do PSDB que não obteve o apoio integral de seu partido e de Serra, líder da legenda no Estado.

Em um hotel tradicional da região central, Kassab fez questão de fazer seu primeiro pronunciamento público como prefeito reeleito ao lado de Serra, a quem dedicou a vitória.

"Tenho nele hoje um grande amigo e um grande líder e dedico a ele essa vitória", disse Kassab, na presença de correligionários dos partidos que o apoiaram e de secretários de sua administração.

Mirando a futura gestão, Kassab disse que vai governar com lealdade aos partidos e que, se houver substituição na equipe, os aliados serão consultados. "Mas evidente que a responsabilidade é minha", frisou.

Para Serra, a vitória do democrata se deveu a um bom desempenho à frente da prefeitura. "A população votou num bom governo, essa é uma verdade bastante elementar, mas que muitas vezes é esquecida nas análises", resumiu o governador, que há quatro anos foi eleito prefeito, tendo Kassab como vice.

Ao afirmar que o desempenho de Kassab foi "especialmente gratificante" e que o prefeito soube dar continuidade ao seu projeto na prefeitura, Serra rechaçou a análise de que sai vitorioso da eleição.

"Não acho, e há opiniões diferentes entre meus aliados e na imprensa, que eu seja o grande vitorioso em São Paulo.O grande vitorioso foi o programa de governo que Gilberto Kassab implantou em São Paulo, não fui eu", afirmou.

Kassab também cumprimentou Marta Suplicy pela "expressiva votação" e desejou boa sorte "à sua vida e à sua carreira". Os dois conversaram pelo telefone antes da entrevista, quando ela admitiu a derrota.

FHC: LEALDADE

O domingo de Kassab teve, além de Serra, a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para quem a principal característica do prefeito é sua lealdade ao PSDB.

"Ele é um homem simples, correto, direto e que tem um sentimento de lealdade, o que é muito importante na vida pública. Um bom administrador, um homem leal", afirmou.

Um dos presentes ao encontro afirmou que a conversa girou em torno dos preparativos para as eleições de 2010, quando acontecem as sucessões para o governo estadual e a Presidência da República.

Depois de votar ao lado de Serra e de visitar Fernando Henrique, Kassab se recolheu ao seu apartamento, em região nobre da cidade, onde permaneceu junto da família e de apoiadores e de onde saiu para conceder a entrevista coletiva.

Desconhecido do eleitor paulistano até o início da campanha, o prefeito de 48 anos, engenheiro e economista, chegou a ter de se apresentar à população em suas caminhadas pela cidade. Houve quem o chamasse de "alemão" na rua, por sua altura e olhos azuis.

Durante toda a campanha, Kassab se mostrou confiante em participar da reta final da eleição em função da boa avaliação de sua gestão pelos paulistanos, que só fez crescer com a propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV, alcançando 61 por cento na pesquisa Datafolha mais recente.

COBRANÇA

Falando à imprensa na parte externa de sua residência, Marta afirmou que os paulistanos deverão fazer cobranças a Kassab. "Cabe ao povo de São Paulo fiscalizar os compromissos assumidos pelo novo prefeito," afirmou em pronunciamento no qual não respondeu perguntas dos jornalistas.

Um dos coordenadores da campanha da petista, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) afirmou que Marta "foi resistente a uma campanha engrenada pela máquina pública."

Ele era o único deputado federal do PT presente na casa da petista até o início da noite de domingo. Na disputa anterior, em que a então prefeita (2001-2004) perdeu para José Serra, Marta admitiu a derrota ao lado de ministros importantes do governo Lula como José Dirceu (Casa Civil) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça).

Desde o início da semana, a campanha de Marta notou o crescente isolamento atribuído principalmente a uma propaganda da candidata que entrava na vida pessoal de Kassab.

Outro interlocutor da ex-prefeita disse que a petista se sentiu isolada e que isso poderia ter acontecido por conta de lideranças do partido interessadas em concorrer ao governo do Estado em 2010. Antes de concorrer à prefeitura, Marta demonstrou disposição para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

Reportagem adicional de Maurício Savarese; Edição de Mair Pena Neto

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