Justiça chilena arquiva processo contra família de Pinochet

sexta-feira, 26 de outubro de 2007 15:40 BRST
 

SANTIAGO (Reuters) - A Corte de Apelações do Chile liberou na sexta-feira quase toda a família do ex-ditador chileno Augusto Pinochet da acusação de má administração de recursos públicos, vinculada à investigação das contas secretas milionárias que o militar mantinha no exterior.

Mesmo assim, os advogados de acusação e o Conselho de Defesa do Estado (CDE), uma equipe jurídica autônoma do Estado, vão recorrer à Corte Suprema.

A Quinta Sala da Corte de Apelações de Santiago decidiu anular o processo contra a viúva de Pinochet, Lucía Hiriart, e quatro dos cinco filhos do casal, anulando a decisão anterior do juiz Carlos Cerda.

O único filho que continua réu do processo é Augusto Pinochet Hiriart, que optou por uma estratégia diferente de defesa.

"Fica sem efeito o auto de processo ditado em 4 de outubro (...) declarando-se que nenhum deles seja acusado do crime de má administração de recursos públicos", disse a jornalistas Juan Eduardo Fuentes, presidente da Quinta Sala da Corte de Apelações.

O clã Pinochet, junto com outras 17 pessoas, entre civis e militares, foi detido no início do mês por determinação do juiz Cerda, mas depois pagaram fiança e obtiveram a liberdade condicional.

Cerda havia ordenado a prisão da família por seu envolvimento na má administração de recursos públicos do montante de cerca de 8,2 milhões de dólares durante a ditadura (1973-1990), que acabaram indo parar em contas bancárias particulares e foram utilizados na compra de propriedades.

O ex-ditador morreu em dezembro, aos 91 anos, de insuficiência cardíaca, sem ser condenado pelas violações aos direitos humanos e pelas contas secretas, que totalizavam 27 milhões de dólares.

(Reportagem adicional de Erik López)