Brasil deve elevar número de ações na OMC após fracasso de Doha

quarta-feira, 30 de julho de 2008 18:01 BRT
 

Por Reese Ewing e Inaê Riveras

SÃO PAULO, 30 de julho (Reuters) - O Brasil deve recorrer de forma mais incisiva à OMC contra os subsídios agrícolas dos EUA agora que a Rodada de Doha está bem distante de uma conclusão, disseram especialistas em comércio ouvidos na quarta-feira.

Sendo um gigante agrícola, o Brasil esperava que o processo de abertura comercial global promovido pela Organização Mundial do Comércio acabasse com os atuais subsídios e tarifas que servem de obstáculo à exportação de produtos como algodão e etanol para os EUA.

No entanto, disputas entre países ricos e pobres e entre exportadores e importadores levaram ao colapso das negociações em Genebra, na terça-feira.

"Com relação aos subsídios ao algodão dos EUA, não parece haver qualquer saída --a retaliação seria a única opção para o governo atualmente", disse o dirigente ruralista Pedro Camargo Neto, que participou ativamente do processo brasileiro sobre essa questão na OMC.

Neste ano, a OMC confirmou sua sentença original contra os subsídios dos EUA ao seu algodão, dando ao Brasil a vitória final no recurso movido por Washington.

"Houve um certo acordo de que o Brasil não iria retaliar porque Doha deveria resolver o problema do algodão. Mas agora não há esperança de tal solução", disse Camargo Neto. "O governo não vai gostar, mas a regra é: se você ganha o recurso, as sanções comerciais são a única opção."

Camargo Neto disse não antever uma mudança na política agrícola dos EUA sem que o Brasil imponha sanções comerciais a produtos norte-americanos --aí incluídos os direitos de propriedade intelectual.

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