ANÁLISE-Alta de matérias-primas limita avanço de biocombustíveis

quinta-feira, 4 de outubro de 2007 14:46 BRT
 

Por Nigel Hunt

LONDRES (Reuters) - O entusiasmo com os biocombustíveis pode estar perdendo força devido ao custo cada vez mais elevado de matérias-primas como o trigo e o óleo de palma, o que tem levado os produtores a abandonarem os projetos para a construção de novas usinas e a diminuírem o volume de produção nas instalações existentes.

"Há muitos projetos (para novas usinas) hoje em dia, mas não sabemos se algum dia eles se tornarão realidade", afirmou em uma conferência realizada nesta semana Robert Vierhout, secretário-geral da Associação Européia de Bioetanol Combustível.

"Nas circunstâncias atuais, de preços muito altos para as matérias-primas, é compreensível que alguns produtores acreditem ser preciso esperar alguns anos até que as coisas tornem-se mais estáveis."

Os biocombustíveis, feitos em sua maior parte a partir de safras agrícolas como a de milho, cana-de-açúcar e óleos vegetais, são apontados por muitos como uma forma de diminuir as emissões de gases do efeito estufa e de aumentar a segurança no fornecimento de energia em um momento no qual a produção de petróleo está no limite ou perto dele.

A Malásia tomou a dianteira quanto ao desenvolvimento da indústria do biodiesel na Ásia, mas deve produzir menos de 100 mil toneladas de biocombustível extraído de óleo de palma em 2008 já que a maior parte dos produtores adiou seus planos devido ao aumento no preço das matérias-primas.

A União Européia (UE), liderada pela Alemanha, tornou-se a mais importante região produtora de biodiesel, enquanto os EUA e o Brasil surgiram como os dois maiores produtores do etanol, um substituto da gasolina.

Grandes incentivos fiscais alimentaram a expansão promovida pela Alemanha, mas esses incentivos foram cortados nos últimos meses, reduzindo a demanda e levando muitas usinas a operarem bastante abaixo de sua capacidade.

"Se não tivermos uma mudança nas regulamentações da Alemanha, está bastante claro que dentro de dois anos mais ou menos 50 por cento da capacidade produtora da Alemanha desaparecerá", afirmou nesta semana Karl Giersberg, diretor financeiro da EOP Biodiesel.   Continuação...