Ex-mulher de Chávez critica reforma constitucional

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 17:32 BRST
 

CARACAS (Reuters) - A ex-primeira-dama venezuelana Marisabel Rodríguez criticou a reforma constitucional promovida por seu ex-marido, o presidente Hugo Chávez, engrossando assim a lista de ex-aliados que se voltaram contra a proposta.

Primeiro foi o bloco parlamentar Podemos, depois um amigo íntimo de Chávez que havia sido seu ministro da Defesa. Agora é a vez da segunda ex-esposa dele atacar o projeto formalmente destinado a implantar o socialismo no país -- mas que a oposição diz servir para perpetuar o presidente no poder.

"Você está colocando numa balança todo o peso para um poder presidencialista. Esse seria um dos gravíssimos erros, que desequilibra totalmente os poderes; agora você está fazendo uma concentração absoluta do poder", disse Rodríguez, 42 anos, na noite de domingo ao canal privado de TV Globovisión, abertamente de oposição.

A entrevista rompe um prolongado silêncio da ex-primeira-dama, mãe de uma filha de dez anos com Chávez.

Neste ano, ela se casou novamente e foi removida da direção da fundação de amparo infantil, tradicionalmente presidida pelas primeiras-damas venezuelanas.

Rodríguez disse que a reforma não responde aos verdadeiros problemas venezuelanos e que seu objetivo é desviar as atenções dos fracassos de quase nove anos de governo "revolucionário".

"Para combater a corrupção, para combater a insegurança, para combater o desabastecimento, para combater o desemprego, para combater a improdutividade, você não precisa mudar a Constituição", disse Rodríguez, dirigindo-se ao ex-marido.

A ex-primeira-dama participou da Assembléia Constituinte de 1999, promovida por Chávez.

"Alguém me explique se depois de nove anos não poderíamos ter tirado um pouco o país da decadência para que agora me digam que é necessário fazer uma reforma", acrescentou.