Diretor da Anac defende subsídio da Petrobras para aviação

quarta-feira, 27 de agosto de 2008 17:48 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier;

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O diretor da agência reguladora do setor de aviação, Anac, Ronaldo Seroa da Motta, defendeu a concessão de subsídio temporário no querosene de aviação (QAV) vendido pela Petrobras às companhias aéreas nacionais, tema que, segundo ele, já está em discussão dentro do governo.

"As declarações sobre o pré-sal hoje fazem efeito muito maior na vida da Petrobras do que dar um pequeno subsídio no QAV", avaliou Motta a jornalistas em evento sobre aviação no Rio de Janeiro.

Segundo cálculo de um analista de um grande banco de investimentos, as especulações em torno do pré-sal já abateram 80 bilhões de reais do valor de mercado da estatal [ID:nN27476029].

A concessão de subsídio no QAV é um pleito do setor, que se sente penalizado pelo aumento de preço do combustível em razão da alta do barril de petróleo no mercado internacional. Até agosto, o QAV acumula alta de 36,38 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. O combustível é responsável por cerca de 40 por cento dos custos de uma companhia aérea.

"Esse subsídio tem que ser temporário, senão nunca as empresas irão se adaptar, ou você vai ter uma economia que vai ter um setor vivendo artificialmente vivendo às custas de um preço irreal", ressaltou Motta.

"A discussão está no âmbito da Defesa (Ministério), com Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas) e Petrobras. Não sei a quantas anda, mas está lá", acrescentou.

O preço do QAV é ajustado quinzenalmente de acordo com a varição do barril do petróleo no mercado internacional e a oscilação do dólar norte-americano no mercado interno. O setor aéreo defende que esse critério também seja alterado, proposta que Motta vê com simpatia.

"Eles estão querendo descolar o preço internacional. É uma coisa que faz sentido. Se imaginar que essa crise é para sempre, deveria-se dar um tempo para as empresas se ajustarem. O QAV não é o carro-chefe da Petrobras", avaliou Motta.   Continuação...