18 de Agosto de 2008 / às 20:59 / 9 anos atrás

EUA elogiam Musharraf e prometem apoio ao Paquistão

Por Tabassum Zakaria

CRAWFORD, Estados Unidos (Reuters) - Os Estados Unidos elogiaram na segunda-feira o presidente demissionário do Paquistão, Pervez Musharraf, e prometeram manter uma boa relação com o novo governo, inclusive na cooperação contra o terrorismo.

“O presidente [George W.] Bush aprecia os esforços do presidente Musharraf na transição democrática do Paquistão e também o seu compromisso na luta contra a Al Qaeda e grupos extremistas”, disse o porta-voz presidencial Gordon Johndroe no Texas, onde Bush tem uma fazenda.

Quase nove anos depois do golpe militar que o levou ao poder, Musharraf renunciou na segunda-feira para evitar o impeachment. Durante o seu governo, o Paquistão recebeu bilhões de dólares dos EUA para o combate ao terror.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, opositor de Musharraf, visitou a Casa Branca em julho e garantiu ao governo que manteria a vigilância contra a Al Qaeda e o Taliban na fronteira com o Afeganistão.

Johndroe disse que os EUA estão “confiantes em manter uma boa relação com o governo do Paquistão”, enquanto a secretária de Estado Condoleezza Rice elogiou Musharraf pela “escolha crítica” de aderir à luta contra o radicalismo islâmico. “Por isso, ele tem nossa profunda gratidão”, declarou ela.

Os candidatos à sucessão de Bush disseram esperar que a saída de Musharraf leve à estabilização política do Paquistão.

“A política dos EUA deve se focar em garantir que todos os elementos do governo do Paquistão seja resolutos na interdição dos santuários da Al Qaeda e Taliban”, disse o democrata Barack Obama.

O republicano John McCain disse que “o Paquistão é um teatro critico na contenção da ameaça da Al Qaeda e do extremismo islâmico violento, e estou ansioso para o governo aumentar sua futura cooperação”.

As especulações sobre a queda de Musharraf vinham crescendo desde fevereiro, quando o partido da falecida ex-primeira-ministra Benazir Bhutto venceu a eleição parlamentar. No começo desse mês, o novo governo anunciou a intenção de realizar o impeachment dele.

Em novembro de 2007, o secretário-adjunto de Estado John Negroponte disse ao Congresso dos EUA que Musharraf era um aliado “indispensável” na guerra contra o terrorismo.

Questionado sobre como ficam os EUA agora, Robert Wood, porta-voz do Departamento de Estado, declarou: “A guerra contra o terrorismo é maior do que qualquer pessoa individualmente”.

Johndroe disse que Bush não fala com Musharraf desde o anúncio da renúncia e que não houve discussões sobre a concessão de asilo nos EUA para o ex-general.

Para a especialista Teresita Schaffer, diretora do Programa do Sul da Ásia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, a coalizão governista paquistanesa têm algumas prioridades em comum com os EUA -- especialmente o controle da insurgência interna.

“Para os EUA, pode-se argumentar que a maior prioridade seria o controle da fronteira entre Paquistão e Afeganistão. Mas ambos [fronteira e segurança interna] andam juntos”.

Ela acha também que a coalizão governista tem apoio do Exército, pois sem isso “provavelmente Musharraf não teria renunciado”.

Reportagem adicional de Susan Cornwell

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below