Carestia de alimentos afeta pobres e cria risco político,diz FAO

quinta-feira, 4 de outubro de 2007 10:45 BRT
 

LONDRES (Reuters) - A alta no preço dos alimentos vai afetar com mais força os pobres do mundo, aumentando o risco de turbulências políticas, disse na quinta-feira um diretor da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura).

"Estamos espremidos entre aumentar os preços do petróleo e elevar o preço dos alimentos", disse Alexander Sarris, diretor de "commodities" e comércio da FAO, com sede em Roma.

Segundo ele, as pessoas mais pobres são mais vulneráveis à carestia dos grãos, provocada pela redução dos estoques, o aumento dos custos (refletindo o encarecimento da energia), fatores climáticos, aceleração do crescimento econômico e aumento da demanda por biocombustíveis.

A queda do dólar frente a outras moedas também contribui, já que o orçamento da ajuda humanitária dos EUA passa a comprar menos alimentos, disse Sarris à Reuters em uma conferência sobre "commodities". Os EUA são o país que mais fornece ajuda alimentar a populações miseráveis no mundo.

"Os carregamentos de ajuda alimentar vão diminuir porque o Congresso [dos EUA] aprova uma quantia em dólares, e isso significa quantidades menores sendo embarcadas", explicou.

Sarris disse que, num cenário em que as pessoas têm dificuldades para se alimentar, aumenta o risco de instabilidade política nos países em desenvolvimento.

"Os países podem fechar as fronteiras às exportações", disse ele, lembrando que, se os estoques alimentares são limitados, os governos podem impedir que a comida saia de suas fronteiras.

"Muitos dos problemas existentes [na distribuição de alimentos] significam mais turbulência política", acrescentou.

Sarris foi um dos oradores da conferência Commodities Week Europe 2007, que começou na segunda-feira e termina na quinta, em Londres.