Reunião das Farc deveria ser com polícia e não Chávez, diz Uribe

terça-feira, 13 de novembro de 2007 18:27 BRST
 

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ (Reuters) - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse nesta terça-feira que o líder da maior guerrilha do país deveria se reunir não com o presidente da Venezuela, como se cogita atualmente, e sim com promotores, policiais e juízes para que responda por seus crimes.

O presidente Hugo Chávez, da Venezuela, atua como mediador na busca por uma troca entre reféns mantidos pela guerrilha Farc e rebeldes encarcerados pelo governo.

Chávez propôs uma reunião com Manuel Marulanda, o "Tirofijo", nas selvas do sul da Colômbia.

Analistas dizem que esse encontro seria decisivo para conseguir a troca de prisioneiros. A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mantém 49 reféns "trocáveis", inclusive a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, três norte-americanos, um ex-governador, cinco ex-parlamentares e vários militares. Em troca, o grupo espera libertar cerca de 500 de seus militantes.

"Quiséramos que a reunião de Manuel Marulanda fosse a reunião com os promotores e policiais da pátria, a reunião com as cortes de Justiça, para que respondesse por 40 anos de assassinato e crime", disse Uribe numa formatura de novos policiais.

"Ele manda dizer que não pode comparecer a reuniões porque se sair de seu esconderijo lhe matariam, pois intui bem, que não dissimule", afirmou Uribe.

"Ele sabe que não terá de sair do seu esconderijo, que em algum momento chegará atrás dele a força pública para tirá-lo (de lá) e apresentá-lo aos tribunais da Justiça e ao povo para que responda por 40 anos de assassinatos."

Uribe lembrou que seu governo libertou de forma unilateral 170 integrantes das Farc, inclusive Rodrigo Granda, a pedido do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e que a resposta da guerrilha foi o assassinato de 11 deputados sequestrados.

Uribe acusou a guerrilha de usar o acordo humanitário para distrair a atenção do mundo e pediu que Chávez e Sarkozy levem em conta essa situação quando se reunirem brevemente em Paris, num encontro em que o presidente venezuelano poderia revelar provas de vida dos reféns.