18 de Agosto de 2008 / às 22:12 / em 9 anos

Rússia faz "jogo perigoso" na Geórgia, diz Rice

Por David Alexander

BRUXELAS (Reuters) - A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, disse na segunda-feira que o Ocidente está determinado a evitar que a Rússia obtenha uma vitória estratégica com seu ataque à Geórgia.

Ela alertou que Moscou está fazendo um jogo perigoso ao usar seu poderio militar para reafirmar sua influência.

Em viagem a uma reunião da Otan e do Conselho do Atlântico Norte, ela disse que a Rússia quer abalar a democracia georgiana e seu governo pró-ocidental, além de prejudicar a economia do país.

A Rússia invadiu o seu vizinho menor há dez dias, para proteger a autonomia da província separatista georgiana da Ossétia do Sul. Na semana passada, ambas as partes assinaram uma trégua.

“Estamos determinados a lhes negar seu objetivo estratégico”, disse Rice a jornalistas a caminho de Bruxelas.

O principal tema da reunião será como garantir que a Rússia cumpra a de desocupação feita à mediadora França.

Para a secretária, a ação militar russa é parte de um recente padrão de assertividade militar por parte de Moscou. “Acho que todos reconhecem que não é a primeira vez que vemos esse problema. Tivemos a aviação estratégica desafiando até ao longo das fronteiras com os Estados Unidos, o que eu deveria citar como um jogo muito perigoso, e talvez os russos devam reconsiderar”.

Há cerca de seis meses, bombardeiros estratégicos russos de longo alcance Tu95 Bear H se aproximaram do Alasca. Em resposta, caças dos EUA os escoltaram até que se retirassem.

“A esperança era de que a Rússia fosse construir sua fundação e suas relações com a Europa e os Estados Unidos sobre a base do patrimônio econômico, político, cultural e outros da Rússia”, disse Rice.

“[Mas] lembrar às pessoas que os Bears podem voar perto da Noruega ou perto do Alasca e que se pode usar a força militar contra um vizinho menor não é uma mensagem ou imagem particularmente sedutora”.

Rice disse que, além de reafirmar a promessa de adesão da Geórgia à Otan, a aliança também deve reiterar o apoio a países do Leste Europeu que já são participantes. A Ucrânia, outra candidata a aderir, também deve receber uma menção.

“Francamente, a Rússia não pode fazer dos dois jeitos. Não pode agir da forma como durante a Guerra Fria, quando era União Soviética, e [por outro lado] esperar que seja tratada como uma parceira responsável”.

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