Após ataque a Bhutto, Paquistão pode proibir passeatas políticas

segunda-feira, 22 de outubro de 2007 12:14 BRST
 

Por Zeeshan Haider

KARACHI (Reuters) - As autoridades paquistanesas cogitam proibir passeatas políticas até as eleições gerais, depois do atentado que matou 139 seguidores da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

O ataque, atribuído a militantes islâmicos, provocou novos temores de que haja instabilidade no Paquistão, um país que tem armas nucleares e cujo presidente, Pervez Musharraf, aguarda atualmente que a Corte Suprema ratifique sua reeleição no pleito de 6 de outubro.

Pelo menos um homem-bomba cometeu o atentado contra os seguidores de Bhutto na madrugada de sexta-feira (noite de quinta-feira no Brasil). Ela passava pelas ruas de Karachi, saudando centenas de simpatizantes, horas depois de voltar ao país após oito anos de auto-exílio.

Autoridades dizem haver risco de mais ataques, e por isso o governo cogita cancelar as passeatas e carreatas até as eleições gerais.

"As eleições estão a poucos meses, queremos uma atmosfera pacífica, propícia para conduzir as eleições", disse o ministro do Interior, Aftab Ahmed Khan Sherpao, a jornalistas em Islamabad.

"Não queremos adiar as eleições, e não queremos nenhum tipo de pretexto para isso."

Outra fonte oficial disse que reuniões políticas serão autorizadas, desde que os participantes possam ser revistados de antemão.

Embora Bhutto também suspeite que o atentado tenha sido provocado por militantes islâmicos, ela chegou a citar o envolvimento de elementos não-identificados ligados a agências de segurança do governo.

Na segunda-feira, o seu Partido do Povo do Paquistão exigiu a demissão do responsável pela investigação do caso, alegando que ele estava presente quando o marido da ex-primeira-ministra, Asif Ali Zardari, foi torturado sob custódia policial, em 1999.

 
<p>Ex-Premi&ecirc; paquistanesa, Benazir Bhutto,  gesticula durante coletiva em Karachi. As autoridades paquistanesas cogitam proibir passeatas pol&iacute;ticas at&eacute; as elei&ccedil;&otilde;es gerais, depois do atentado que matou 139 seguidores da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. 22 de outubro. Photo by Zainal Abd Halim</p>