Índios e ativistas brasileiros protestam contra represa no Xingu

quarta-feira, 21 de maio de 2008 15:27 BRT
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - A construção de uma hidrelétrica no rio Xingu cobrirá de água a casa de 16 mil pessoas, secará rios e incentivará os desmatamento na região, afirmaram ativistas e índios na quarta-feira em meio a um aumento da preocupação com a destruição da Amazônia.

A renúncia, na semana passada, de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente alimentou boatos de que o governo brasileiro acelerará a construção de estradas, oleodutos e usinas de energia na região a fim de dar sustentação a uma economia em rápida expansão. A ex-ministra era vista como uma guardiã da floresta.

A represa de Belo Monte, projeto a cargo por enquanto da Eletrobrás, seria uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo, ficando atrás apenas da de Três Gargantas, na China, e da de Itaipu, dividida entre Brasil e Paraguai.

Mais de mil ambientalistas e indígenas reuniram-se nesta semana, na cidade de Altamira, norte do Pará, para protestar contra a represa e discutir alternativas.

O engenheiro da Eletrobrás, Paulo Fernando Rezende, foi ferido e ficou hospitalizado durante um breve período, na terca-feira, depois de um ataque de índios caiapó armados com bordunas e facões. Depois de uma apresentação entusiasmada de Rezende, os índios reagiram iniciando uma dança de guerra.

Em nota, a estatal se disse "indignada" com o incidente e afirma que "tomará todas as providências necessárias para que os responsáveis pela agressão sejam punidos".

Diretores da Eletrobrás disseram na quarta-feira que os protestos não vai atrapalhar Belo Monte. Para sexta-feira os índios e ambientalistas planejam uma manifestação em Altamira.

Em 1989, um protesto dos índios obrigou ao abandono de um projeto para a construção de uma represa semelhante. Naquela época, as imagens de uma índia caiapó encostando a lâmina de seu facão no rosto do hoje presidente da Eletrobrás ganhou grande destaque nos meios de comunicação brasileiros e estrangeiros.   Continuação...