February 6, 2008 / 8:24 PM / 9 years ago

EXCLUSIVO-Irã testa centrífugas avançadas em Natanz

4 Min, DE LEITURA

Por Mark Heinrich

VIENA, 6 de fevereiro (Reuters) - O Irã está testando uma centrífuga avançada no complexo nuclear de Natanz, disseram diplomatas na quarta-feira, o que pode levar Teerã a enriquecer urânio muito mais rapidamente e a desenvolver armas nucleares.

O Irã diz que seu programa de enriquecimento de urânio é exclusivamente pacífico, mas o país está sob sanções por ocultá-lo até 2003, por dificultar o trabalho de inspetores da ONU desde então e por se recusar a suspendê-lo.

O país não consegue produzir quantidades utilizáveis de combustível nuclear porque usa as centrífugas P-1, da década de 1970, muito sujeitas a quebras. Em novembro, o país já tinha 3.000 P-1s em operação, o que teoricamente lhe permitiria o enriquecimento eM escala industrial --não fosse pelo fato de que elas estão girando com baixa capacidade.

Diplomatas que acompanham o caso dizem que o Irã iniciou testes mecânicos, sem material nuclear dentro, de um modelo mais eficiente numa ala-piloto da gigantesca usina de Natanz.

"Ainda não se sabe a que estágio o teste chegou ou exatamente quantas (centrífugas) há, embora aparentemente sejam várias dúzias", afirmou um diplomata ocidental que tem acesso a informações de inteligência.

Um outro diplomata, ligado à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), confirmou que o Irã recentemente começou a testar centrífugas da família P-2, que pode enriquecer urânio de duas a três vezes mais rápido que a P-1.

O Irã não comentou o assunto imediatamente.

O físico e especialista no combate à proliferação de armas nucleares David Albright disse que os testes em Natanz têm um "lado positivo", que será facilitar que haja inspeções da AIEA.

"Pesando tudo, porém, acredito que este seja um fato perturbador. O Irã parece ter feito progressos secretos na P-2, e agora pode estar perto de enriquecer urânio com ela", disse Albright, diretor do Instituto para a Ciência e a Segurança Internacional, além de ex-inspetor de armas da ONU.

Em 2006, o Irã disse que, em retaliação à pressão ocidental contra seu programa nuclear, havia iniciado o desenvolvimento de uma nova geração de centrífugas em instalações fora do alcance da AIEA. No mês passado, Teerã permitiu que o diretor da agência, Mohamed El Baradei, visitasse essas instalações, o que não demoveu os governos ocidentais da idéia de novas sanções.

Teerã condiciona a cooperação total à suspensão definitiva de todas as sanções.

Um novo relatório de El Baradei sobre o Irã deve ser divulgado neste mês. A despeito dele, seis grandes potências ocidentais redigiram uma resolução da ONU que amplia as sanções contra o Irã.

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