ANÁLISE-Farc podem soltar reféns para salvar reputação

terça-feira, 8 de janeiro de 2008 15:21 BRST
 

Por Luis Jaime Acosta

BOGOTÁ (Reuters) - Apesar do fracasso do pomposo plano de resgate dos reféns colombianos elaborado pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela, nem tudo está perdido para as duas políticas sequestradas que tiveram sua libertação prometida pela guerrilha depois de anos de cativeiro na selva, acreditam analistas.

Segundo especialistas entrevistados pela Reuters, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) podem acabar libertando Consuelo González e Clara Rojas para tentar melhorar sua imagem no exterior, que ficou seriamente abalada após o episódio.

"Mais que uma hipótese, (a libertação) é um compromisso que assumiram com o presidente Chávez, e que devem cumprir, acredito que vão cumprir", disse o diretor da revista Voz, Carlos Lozano.

As Farc haviam prometido em meados de dezembro entregar González e Rojas, junto com o filho desta última, nascido em cativeiro. A entrega seria um ato de desagravo a Chávez depois que o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, suspendeu a negociação pela soltura de 47 reféns, entre eles a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt.

Chegou a haver uma missão internacional com a participação de autoridades de Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, França e Suíça, mas a guerrilha não entregou os reféns, e depois foi revelado que o grupo nem estava de posse do menino Emmanuel.

A revelação de que a criança estava havia mais de dois anos sob custódia dos serviços assistenciais colombianos foi mais um golpe para Chávez, que afirmou que continuaria lutando pela libertação das duas mulheres, mesmo que fosse através de uma operação clandestina.

"A operação clandestina tem riscos, tem que ser muito bem feita, quase perfeita, para que a possibilidade de uma fatalidade seja nula, portanto eu não a recomendaria, já que colocaria em risco a vida das duas senhoras", afirmou Lozano.

A Colômbia anunciou que não permitirá a entrada em seu território de comissões como a organizada pela Venezuela para a fracassada entrega dos reféns. Isso obrigaria as Farc a levar as duas políticas até a Venezuela, ou entregá-las secretamente.

O analista Jaime Zuluaga acredita que a libertação das duas em território venezuelano é "a única saída clara se as Farc quiserem recuperar o espaço político que perderam nos últimos dias."