Esquerda da América Latina se une contra alta dos alimentos

quarta-feira, 23 de abril de 2008 20:34 BRT
 

CARACAS (Reuters) - Líderes esquerdistas de quatro países da América Latina prometeram na quarta-feira um trabalho conjunto pelo aumento da produção de alimentos, culpando o capitalismo e a especulação pela alta global nos preços que atinge os países pobres.

Os presidentes Evo Morales (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela) e Daniel Ortega (Nicarágua), além do vice-presidente Carlos Lage (Cuba), lançaram um fundo de 100 milhões de dólares para a compra de gêneros essenciais como arroz, feijão e milho.

Os líderes disseram que os preços altos, que provocaram distúrbios do Egito ao Haiti, foram basicamente causados pela política norte-americana de produzir etanol a partir do milho.

"A questão é realmente crucial para o futuro dos nossos povos, e acima de tudo para os povos dos países mais pobres", disse o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU qualificou nesta semana a carestia global como "um tsunami silencioso" que estaria ameaçando mais de 100 milhões de pessoas nos cinco continentes.

Os quatro países estão reunidos sob a Aliança Bolivariana das Américas (Alba) e já promovem projetos agrícolas.

"Temos sorte que a Alba anteviu isso," afirmou Chávez. "Alguns projetos estão em andamento, mas agora temos de acelerá-los."

Há mais de um ano, o então presidente licenciado de Cuba, Fidel Castro, alertou que o uso de alimentos para a produção de etanol teria consequências diretas sobre os países pobres.

Chávez fundou a Alba como contrapeso aos acordos de livre-comércio dos EUA, que segundo críticos prejudicaram a produtividade rural na América Latina por invadirem a região com grãos subsidiados, na época em que os preços eram baixos.   Continuação...