Votação sobre Irã na ONU deve demorar semanas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 21:03 BRST
 

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O Conselho de Segurança da ONU ainda vai levar semanas para votar uma nova resolução com sanções ao Irã, proposta na semana passada por seis grandes potências, disseram diplomatas na segunda-feira.

Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China apresentaram na sexta-feira o texto que propõe congelamento de bens e proibição de viagens de determinados indivíduos iranianos, bem como a vigilância sobre todos os bancos do Irã, em retaliação ao programa nuclear do país.

Países ocidentais dizem que a recusa do Irã em suspender seu programa de enriquecimento de urânio, conforme exigiam duas resoluções prévias da ONU, dão força às suspeitas de que o país pretenda desenvolver armas nucleares. Teerã diz que o programa é pacífico e que o enriquecimento é um direito soberano do país.

Na segunda-feira, os cinco membros permanentes do Conselho (os proponentes da resolução, menos a Alemanha) se reuniram com os dez membros não-permanentes para discutir as sanções e preparar a redação final do texto.

"Isso talvez leve semanas", disse o vice-embaixador chinês na ONU, Liu Zhenmin, antes da reunião na legação britânica. Ele não entrou em detalhes.

Uma fonte dos EUA disse que Washington há meses defende esta resolução e quer aprová-la rapidamente. Mas diplomatas europeus disseram que a demora seria necessária para garantir a aprovação unânime.

O embaixador da África do Sul, Dumisani Kumalo, disse que seu país gostaria de aguardar o novo relatório do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohamed El Baradei

"Acho que o relatório da AIEA é muito importante, porque eles são os especialistas. Vejamos o que eles têm a dizer", afirmou Kumalo.

A África do Sul é uma das líderes do Movimento dos Não-Alinhados, grupo de países em desenvolvimento que resiste à idéia de obrigar o Irã a suspender o enriquecimento de urânio. Eles temem que países mais ricos queiram o monopólio sobre essa atividade, que pode gerar combustível para usinas nucleares civis, mas também material para bombas atômicas.