Greve continua provocando transtornos na França

sexta-feira, 16 de novembro de 2007 17:38 BRST
 

Por Anna Willard

PARIS (Reuters) - Os ferroviários franceses decidiram na sexta-feira manter sua greve contra a reforma previdenciária, mas um sindicato convocou seus filiados a voltarem ao trabalho e retomarem as negociações.

A greve iniciada na terça-feira é um desafio à proposta do presidente Nicolas Sarkozy de acabar com privilégios previdenciários de alguns funcionários públicos, e a base sindical parece estar radicalizada. Houve assembléias durante todo o dia na França, com tendência de manutenção da greve.

"Continuamos porque não tivemos qualquer progresso no que queríamos", disse Guillaume Roiron, membro da central sindical CGT, na estação de Saint Lazare, em Paris.

Já os dirigentes da CFDT, uma central mais moderada, orientaram seus filiados da SNCF (estatal do setor ferroviário) a suspenderem a greve em troca de um início imediato de negociações envolvendo governo, sindicatos e empresas.

Os filiados da CFDT vão decidir na manhã de sábado se atendem à orientação dos dirigentes.

A SNCF disse que 32,2 por cento de seus funcionários estão parados na sexta-feira --eram 61,5 por cento na quarta-feira e 42,8 por cento na quinta. Apesar da perda de intensidade, a greve ainda paralisa parcialmente os trens nacionais, regionais e o metrô de Paris.

Na capital e em outras cidades, piqueteiros bloquearam linhas ferroviárias com fogueiras e obstáculos.

O ministro do Trabalho, Xavier Bertrand, disse aos sindicatos que o fim da greve seria uma pré-condição para as negociações, algo de que os grevistas discordam.

A greve --somada ao frio excepcional para esta época-- provoca um misto de frustração e resignação entre os usuários dos transportes. "Acho, como muita gente, que tenho sentimentos dúbios. Um pouco de compreensão porque eles receberam alguma coisa, e é difícil abrir mão. Mas todo mundo tem de trabalhar mais, todos têm de se adaptar", disse Martin Fraudreau, que esperava em Paris um trem para Rouen (norte).

Os sindicatos são contra o fim do chamado "regime especial" de pensões, que permite que cerca de 500 mil funcionários públicos se aposentem após 37,5 anos de contribuição à Previdência, em vez dos 40 anos dos demais trabalhadores.