January 14, 2008 / 2:11 PM / 10 years ago

Rússia restringe vistos para funcionários do Conselho Britânico

3 Min, DE LEITURA

Por James Kilner e Conor Sweeney

MOSCOU (Reuters) - A Rússia anunciou na segunda-feira que não mais concederá vistos de entrada para os funcionários de escritórios de fomento cultural do governo britânico que trabalham em duas regiões do país.

A medida aprofunda ainda mais o conflito entre os dois países, cujas relações bilaterais foram abaladas recentemente.

A Rússia mandou que o Conselho Britânico suspendesse suas atividades em dois escritórios regionais a partir de 1o de janeiro, uma manobra causada devido ao conflito diplomático surgido com o assassinato de Alexander Litvinenko, um ex-espião russo que passou a fazer críticas ao governo de seu país.

A Grã-Bretanha considerou ilegal a manobra russa e, na segunda-feira, os dois escritórios, localizados em São Petersburgo e em Yekaterinburg, retomaram suas atividades depois do feriado de Ano Novo, disseram correspondentes da Reuters nas duas cidades.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou o embaixador britânico no país, Tony Brenton, na segunda-feira e pouco depois divulgou um comunicado criticando o governo britânico por não obedecer à ordem e manter em funcionamento suas agências.

"A Rússia considera tais medidas um ato de provocação internacional cujo objetivo é aumentar a tensão nas relações russo-britânicas", disse a chancelaria em um comunicado divulgado em seu site, www.mid.ru.

"A Rússia não emitirá vistos para novos funcionários enviados para trabalhar nos escritórios consulares de São Petersburgo e de Yekaterinburg em nome do Conselho Britânico", afirmou o comunicado.

O embaixador britânico, ao sair do Ministério das Relações Exteriores depois de conversar com autoridades russas, disse que o Conselho Britânico continuaria realizando suas operações nas duas regiões.

O governo russo diz que a medida adotada contra o Conselho Britânico tem relação com o embate deflagrado pelo assassinato, em 2006, de Litvinenko, envenenado com um elemento radiativo em Londres.

O episódio fez com que a relação entre os dois países enfrentasse seu pior momento desde o fim da Guerra Fria.

A Grã-Bretanha apontou o ex-integrante da KGB Andrei Lugovoy como o principal suspeito pelo assassinato de Litvinenko.

Em julho, o país europeu expulsou quatro diplomatas russos devido à recusa da Rússia em extraditar Lugovoy. Em retaliação, o governo russo expulsou quatro diplomatas britânicos.

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