10 de Outubro de 2008 / às 21:28 / em 9 anos

Para PCdoB, aliança com PT em Porto Alegre "não é automática"

PORTO ALEGRE, 10 de outubro (Reuters) - Mesmo após a direção nacional do PCdoB decidir por uma aliança com o PT em Porto Alegre para o segundo turno das eleições municipais, os comunistas querem aparar arestas antes de formalizar o acordo.

“(O apoio à candidata do PT) é uma tendência, mas não é automático”, disse o presidente estadual do PCdoB, Adalberto Frasson, à Reuters.

A aliança entre os partidos de esquerda era uma tradição na política gaúcha, mas foi desfeita nestas eleições e resultou nas candidaturas das deputadas federais Maria do Rosário (PT),Manuela D’Ávila (PCdoB) e Luciana Genro (PSOL). Manuela ficou em terceiro lugar, enquanto Rosário passou para o segundo e concorre com o atual prefeito, José Fogaça (PMDB).

Segundo Frasson, a recomposição da chamada Frente Popular exige negociação e pode se estender pelo fim de semana. Na pauta do entendimento, as críticas feitas por Maria do Rosário ao PPS, que se coligou a Manuela. Além de não apoiar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o PPS gaúcho é identificado como responsável pela privatização de serviços públicos estaduais.

Os comunistas mantêm conversas e reuniões com os outros partidos da sua coligação original, mas não haveria compromisso de uma decisão unificada.

“O PPS não está na base do governo, mas em alguns locais é fundamental. Estamos seguindo o presidente Lula que defende a necessidade de aglutinar forças para viabilizar as mudanças”, disse Frasson.

Enquanto seguem as conversas, Manuela está viajando. A participação ou não da candidata na segunda fase da campanha eleitoral deve ser resolvida pelos dirigentes do partido.

COMPASSO DE ESPERA

Por enquanto, o PT conseguiu arregimentar apenas o PSC, que no primeiro turno apoiou Onyx Lorenzoni (DEM). Enquanto tenta comprovar as falhas da gestão Fogaça, o partido espera a definição do PCdoB.

“Procuramos os partidos do campo popular, o PCdoB e o PSB (que também apoiou Manuela). O PCdoB pediu um prazo até a próxima segunda-feira. Estamos aguardando”, disse Cícero Balestro, coordenador da campanha de Rosário.

A contabilidade de adesões é maior no lado de Fogaça. Além do apoio formal da governadora Yeda Crusius (PSDB), a coligação recebeu a adesão do PP. O DEM ainda estuda a estratégia para o segundo turno.

Fogaça deve pedir uma nova licença das funções de prefeito para dedicar-se exclusivamente à campanha. A idéia inicial era que o afastamento começasse já nesta sexta-feira, mas o plano teve que ser adiado. A falta de quórum entre seus aliados na Câmara de Vereadores impediu a votação do pedido de licença e o processo terá que começar novamente na próxima semana.

No primeiro turno, Fogaça teve 43,8 por cento dos votos (346 mil votos). Maria do Rosário ficou com 22 por cento (179 mil votos). Manuela chegou em terceiro lugar com 15 por cento, enquanto Luciana Genro obteve 9 por cento. A abstenção foi de 16 por cento (169 mil votos), enquanto brancos e nulos somaram 79 mil votos.

Em Porto Alegre, a propaganda eleitoral gratuita recomeça no sábado.

Reportagem de Sinara Sandri, Edição de Mair Pena Neto

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