Na posse, Cristina promete lutar contra pobreza na Argentina

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007 18:56 BRST
 

Por César Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - Cristina Fernández de Kirchner assumiu nesta segunda-feira a Presidência argentina das mãos de seu marido, Néstor Kirchner, que deixa um legado de forte crescimento econômico, mas com risco inflacionário.

Diante de líderes de todo o continente no Congresso, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina, de 54 anos, prestou juramento por "Deus, a pátria e os Santos Evangelhos" como a primeira mulher eleita presidente na história argentina.

Com um sóbrio vestido branco, a nova presidente prometeu seguir a luta contra a pobreza iniciada por seu marido quando ele assumiu o poder, em 2003, enquanto ao redor do prédio legislativo manifestantes gritavam seu nome e alguns conflitos menores eram registrados.

"Sempre vai faltar a vitória definitiva enquanto houver um pobre na pátria", disse ela, num discurso improvisado.

Néstor Kirchner prometeu passar a um discreto segundo plano durante os quatro anos de mandato da mulher, mas poucos argentinos acreditam que ele sairá da cena pública.

"Ela vem fortalecer o processo de mudança na região", disse o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao desembarcar em Buenos Aires, no domingo, referindo-se à chegada de outros presidentes de esquerda ao poder na América Latina nos últimos anos.

"Antes diziam que as mulheres eram inferiores a nós, agora dizemos que são iguais a nós, mas estamos equivocados. A mulher é infinitamente superior a nós, por sua intuição, por ter uma fibra e qualidades muito superiores às nossas", declarou Chávez.

Cristina manterá vários ministros do marido e prometeu continuar também o modelo atual, voltado no incentivo ao consumo interno, o que permitiu à Argentina crescer mais de 8 por cento ao ano desde 2003. A inflação anual, porém, se aproxima dos 9 por cento.   Continuação...