Lugo estudará adoção de novo imposto agrícola no Paraguai

quinta-feira, 14 de agosto de 2008 13:24 BRT
 

ASSUNÇÃO, 14 de agosto (Reuters) - O Paraguai pode adotar um novo imposto agrícola, afirmou o presidente eleito do país, Fernando Lugo, referindo-se a uma medida capaz de chacoalhar a pequena economia desse país, altamente dependente das exportações de produtos agropecuários, com destaque para a soja.

Poucas horas antes de tomar posse, Lugo disse que o Paraguai, que possui a menor carga tributária da região, precisa também de uma maior arrecadação tributária.

"Vamos estudar a possibilidade real de fazer isso. Primeiro, implementar já o imposto de renda pessoal. A isso somam-se os impostos que, segundo tínhamos avisado, estudaremos para outros setores, como, por exemplo, o agrícola", disse Lugo em uma entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal paraguaio ABC.

O país é o quarto maior exportador de soja do mundo e grande parte do crescimento econômico que registrou nos últimos cinco anos deve-se ao aumento das exportações desse produto, cuja área de plantio cresceu bastante junto com o aumento do preço dos grãos nos mercados internacionais.

O Paraguai produziu 6,8 milhões de toneladas de soja na safra de 2007/2008, batendo um recorde.

"Dionisio Borda (futuro ministro da Fazenda) está aberto à possibilidade de estudar os números, de estudar a situação, de avaliar a necessidade de que também as exportações e o imposto agrícola sejam mais eficientes em nosso país", acrescentou o presidente eleito.

O anúncio acontece semanas depois de ter chegado ao fim, na vizinha Argentina, uma longa disputa entre o setor ruralista e o governo em torno do aumento dos impostos cobrados sobre a exportação de grãos. Os planos governistas tiveram de ser cancelados depois de o Congresso argentino haver rejeitado a elevação das taxas.

Lugo tomará posse em meio a uma grande expectativa dos paraguaios comuns, que esperam dele uma luta franca contra a corrupção e a pobreza, a qual afeta quase 40 por cento da população.

Uma grande porcentagem dos miseráveis vive na zona rural e isso, em parte, devido ao aumento do desemprego ali em meio à ampliação da agricultura mecanizada.   Continuação...