Índia sugere manobra para manter Rodada Doha viva

terça-feira, 16 de outubro de 2007 21:24 BRST
 

BRUXELAS (Reuters) - A Índia sinalizou sua disposição em eventualmente aceitar as reduções de tarifas defendidas por União Européia e Estados Unidos como base mínima para a chamada Rodada Doha de negociações comerciais globais.

Abrindo a perspectiva de aproximação entre países ricos e pobres, após anos de discordâncias, o governo indiano disse que o país está "confortável com a maioria dos elementos" que constam nas propostas feitas em julho por mediadores da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O site oficial do primeiro-ministro Manmohan Singh diz que ele informou por telefone na segunda-feira ao presidente dos EUA, George W. Bush, que as propostas de julho poderiam servir de base para as negociações agrícolas e industriais.

"Embora haja áreas cinzentas no texto e números específicos que precisam ser definidos, os textos têm amplas indicações da gama de possibilidades na maioria das questões", diz a nota.

Singh se reúne na quarta-feira em Pretória com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Thabo Mbeki (África do Sul).

Os representantes comerciais dos EUA e da UE pedem aos três líderes que usem a reunião para discutir formas de retomar a Rodada Doha, criada em 2001 e emperrada especialmente devido a questões de subsídios e tarifas agrícolas e industriais.

Na semana passada, um grupo de países desenvolvidos, sob a liderança de Brasil, Índia e África do Sul, propôs que haja mais produtos numa lista de exceções aos cortes de tarifas industriais, uma manobra que irritou Washington e Bruxelas.

Os EUA elogiaram as novas declarações de Singh. "Estamos muito encorajados", disse Sean Spicer, porta-voz da representante comercial Susan Schwab.

"Quando os líderes de Índia, África do Sul e Brasil se reunirem nesta semana esperamos que eles todos se comprometam a se juntar aos EUA e a outras nações em aceitar negociar sobre os textos-base", disse Spicer.   Continuação...