Líder agrícola dos EUA critica "caronas" na Rodada Doha

segunda-feira, 26 de novembro de 2007 21:29 BRST
 

Por Doug Palmer

CHANTILLY, Estados Unidos (Reuters) - A Rodada Doha de abertura comercial global continuará inacessível até que os países em desenvolvimento aceitem abrir seus mercados para mais produtos agrícolas dos EUA, disse na segunda-feira o diretor da principal entidade ruralista norte-americana.

Bob Stalman, presidente da Federação Americana do Burô da Agricultura, disse que as negociações estão paradas porque muitos países em desenvolvimento querem que os EUA abram mão de seus subsídios agrícolas sem em troca oferecer uma redução de tarifas de importação.

"Muitos países em desenvolvimento decidiram: 'Ah, vamos pegar carona nisso. Vamos conseguir alguma coisa e não vamos dar nada em troca'. Esse é o problema número 1", disse Stalman em discurso a ruralistas na Virgínia.

Os EUA estão sob pressão de países como Brasil e Índia para limitar para 13 bilhões de dólares anuais os seus subsídios agrícolas capazes de distorcer o mercado. Em 2005, Washington gastou 18,9 bilhões de dólares nesses subsídios.

"Infelizmente, alguns países que querem que baixemos para um limite de 13 bilhões de dólares não estão dispostos a reduzir tarifas suficientemente a ponto de contrabalançar isso de uma perspectiva econômica", disse Stallman a jornalistas após o discurso.

O presidente do grupo de negociação agrícola da Organização Mundial do Comércio deve divulgar em breve um novo texto destinado a servir de base para um eventual acordo.

Também há discordâncias entre países ricos e pobres a respeito da abertura dos mercados industrial e de serviços.

Embora o presidente George W. Bush diga que ainda é possível haver acordo na Rodada Doha durante seu mandato, que termina em janeiro de 2009, Stallman afirmou estar razoavelmente confiante de que a Casa Branca não aceitaria um tratado que prejudique os interesses dos agricultores.

"A realidade política bruta é que não haverá um acordo comercial aprovado no Congresso dos EUA se ele não tiver apoio da agricultura", disse Stallman.