CONSOLIDA-Lula recomenda crédito como antídoto à crise global

quarta-feira, 1 de outubro de 2008 18:03 BRT
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 1o de outubro (Reuters) - A coordenação política do governo avaliou nesta quarta-feira que não há no horizonte nenhum indicativo de que a crise financeira global possa abater o Brasil, mas já admite que ela pode chegar à economia real do país.

As informações foram dadas nesta quarta-feira por uma fonte do Planalto sob condição de anonimato. Mais cedo, um ministro revelou à Reuters que, preocupado com os desdobramentos da situação internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou à equipe econômica esforço "para não faltar crédito no país."

A recomendação de Lula foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que assegurou que "não faltará crédito nem para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), nem para os investimentos de uma maneira geral."

A avaliação do governo é de que a crise chegará ao Brasil se reduzir a atividade econômica e comprometer o setor agrícola e de exportação. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento já analisam uma série de alternativas para reforçar linhas de crédito destinadas a financiar as exportações brasileiras, entre elas o uso do FGTS. O BNDES também pode ser usado como reforço a este fim, disse outra fonte palaciana.

Lula descartou um "pacote" formal de medidas para proteger o Brasil. Desde a véspera--durante encontro com o colega venezuelano, Hugo Chávez--,ele resolveu abrandar nos adjetivos e baixar o tom de suas críticas à crise nos EUA.

"Não se pode tratar a crise com desdém, mas não se pode assumir uma coisa que não é nossa", disse o ministro. "Tem a doença, não estamos gripados, mas não significa que não vamos pegar a gripe," avaliou o ministro sobre a ameaça de contágio.

Segundo relato de dois representantes do governo, um deles com cadeira na coordenação política, Mantega afirmou na reunião que a crise "existe, é preocupante, mas que ainda não é problema para o Brasil". Na mesma ocasião, Mantega teria afirmado que os investimentos estrangeiros diretos ficaram em torno de 4 bilhões de dólares em setembro e que as reservas internacionais do país continuam "intactas."

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