March 5, 2008 / 10:58 PM / 9 years ago

Comércio entre Colômbia e Venezuela se reduz a produto perecível

3 Min, DE LEITURA

Por Enrique Andres Pretel

SAN ANTONIO DEL TÁCHIRA, Venezuela (Reuters) - O comércio entre Colômbia e Venezuela reduziu-se na quarta-feira ao mínimo essencial pela crise diplomática iniciada no fim de semana. Caracas autoriza apenas a entrada de produtos perecíveis provenientes do país vizinho.

Também na quarta-feira, a Venezuela enviou tanques à fronteira em protesto contra a operação militar colombiana em território do Equador, que resultou na morte do número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes.

Analistas dizem que as restrições na fronteira podem agravar a escassez de produtos alimentícios na Venezuela e acelerar a inflação, que já é a mais alta do continente.

As autoridades alfandegárias disseram que só produtos como leite e frango podem passar pelos entrepostos aduaneiros de San Antonio e Paraguachón. Cargas como roupas e máquinas estão retidas.

Caminhoneiros e transportadoras se queixam da falta de informações por parte do governo venezuelano, que por sua vez é ambíguo a respeito do tema.

"Não recebemos quaisquer instruções de fechar a fronteira", disse o ministro da Defesa, Gustavo Rangel, em entrevista coletiva, contradizendo o ministro da Agricultura, Elias Jaua, que havia anunciado o fechamento da fronteira.

A entidade Cavecol, de Caracas, que promove o comércio bilateral, pediu que os dois países se apressem em resolver a crise e levem em conta as consequências para 1,2 milhão de pessoas que vivem do comércio entre Venezuela e Colômbia.

"Aqui vivemos da fronteira, é o que nos dá de comer. Se a fecham, não sei como vamos fazer", disse Yelis Parra, 45 anos, mãe de quatro filhos e dona de um restaurante em San Antonio.

O comércio colombiano com o Equador continua normal, apesar da tensão diplomática, disse na quarta-feira o ministério colombiano de Finanças.

A Venezuela enfrenta problemas de abastecimento nos últimos meses, o que empresários atribuem aos rígidos controles de preços do governo de Hugo Chávez. O governo, por sua vez, diz que a culpa é da ganância dos comerciantes, e promete combater a escassez reprimindo a venda de produtos com ágio.

O PIB da Venezuela subiu 8,4 por cento em 2007, mas a inflação atingiu 22,5 por cento, puxada pelo preço dos alimentos.

Reportagem adicional de Manuel Hernandez

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