29 de Outubro de 2007 / às 23:28 / 10 anos atrás

Turcos bombardeiam rebeldes curdos no sudeste do país

Por Emma Ross-Thomas

SIRNAK, Turquia (Reuters) - Helicópteros bombardearam na segunda-feira posições dos rebeldes curdos no sudeste da Turquia, e o governo fez uma demonstração de força com grandes desfiles e sobrevôos militares nas principais cidades para marcar a data nacional.

A Turquia reuniu 100 mil soldados, além de tanques, canhões, aviões e helicópteros, ao longo da montanhosa fronteira com o Iraque, preparando uma possível invasão do país vizinho para caçar os cerca de 3.000 guerrilheiros separatistas ali estabelecidos.

A Casa Branca pressiona Ancara e Bagdá a manterem as negociações destinadas a evitar uma grande ação militar por parte da Turquia.

Testemunhas disseram ter visto helicópteros disparando mísseis e bombas contra supostas posições da guerrilha Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) na província fronteiriça de Sirnak, como forma de impedir que dezenas de rebeldes entrassem no norte do Iraque. A operação, reforçada por tropas terrestres, prosseguia após várias horas.

Três soldados foram mortos durante a operação, segundo a CNN turca. Outro soldado foi morto por uma mina terrestre do PKK na província de Tunceli, a centenas de quilômetros da fronteira.

Enquanto a Turquia prepara uma eventual ação no norte do Iraque, os militares fazem uma ampla operação contra posição da guerrilha em várias províncias do sudeste turco, uma área de grande população curda.

No domingo, fontes do Exército disseram que 20 guerrilheiros do PKK foram mortos pelos 8.000 soldados envolvidos nas operações em Tunceli.

Em Ancara, caças e tanques participaram da parada militar diante do presidente Abdullah Gul, do primeiro-ministro Tayyip Erdogan e de vários generais. A Turquia tem o segundo maior Exército da Otan.

Istambul, maior cidade e centro financeiro do país, também teve seu desfile militar, com patriotas agitando bandeiras e aplaudindo efusivamente a passagem dos tanques. Muita gente levava retratos de Mustafá Kemal Ataturk, fundador da Turquia moderna, em 1923.

"Estou muito orgulhoso dos 84 anos da República Turca. Não estamos preocupados com o futuro. Estamos juntos e a república vai sobreviver", disse o veterano de guerra Ahmed Kendigel, 52 anos.

"Cabe ao nosso governo decidir ir ao norte do Iraque, mas estamos prontos para tudo. O Exército, o povo, todos nós estamos prontos."

O fervor nacionalista vem tomando conta da Turquia, e na semana passada os funerais de 12 militares mortos pelo PKK se transformaram em enormes manifestações contra os separatistas curdos, o que amplia a pressão sobre o governo para agir no norte do Iraque, onde os curdos também são maioria.

Colaboraram Alexandra Hudson em Istambul, Gareth Jones em Ancara, e Ferit Demir em Tunceli

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