Seis votos e crise Renan separam governo da aprovação da CPMF

quarta-feira, 10 de outubro de 2007 19:56 BRT
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - Seis votos e a crise Renan Calheiros separam o governo da aprovação da CPMF no Senado. O Palácio do Planalto avalia que tem 43 dos 49 apoios necessários à prorrogação do tributo e tenta administrar as dificuldades com a oposição: contra a matéria e radicalmente contra o presidente do Congresso.

"A prioridade é remover esse contencioso chamado Renan. Qualquer outro assunto, incluindo CPMF, é menos importante do que esse", afirmou o senador José Agripino (DEM-RN), líder da bancada. "Renan é um problema da instituição. A CPMF é um problema do governo", completou.

Renan Calheiros está politicamente desidratado, mas ainda lidera um grupo forte de aliados, sobretudo no PMDB. O presidente do Senado garante que não pedirá licença do cargo, enquanto a oposição promete obstruir até minuto de silêncio se o Conselho de Ética não votar, no limite de 2 de novembro, os três processos por quebra de decoro que tramitam contra ele.

A novidade agora é o PT, que mudou de lado. Antes dividido na defesa de Renan, já defende em público seu afastamento.

"A quase totalidade (do partido) quer que ele se afaste", disse à Reuters o senador Flávio Arns (PT-PR).

Renan perdeu muitos soldados desde sua absolvição pelo plenário da Casa. Muitos senadores pintam um quadro ruim para ele, mas ninguém se arrisca a cravar um resultado. No primeiro processo, enquanto a maioria dizia que ele seria cassado, o peemedebista acabou escapando com 40 votos favoráveis a ele, 35 contra e seis abstenções.

Na prática, livrou-se da perda do mandato por uma diferença de 11 votos. Hoje, esse placar seria menor. O resultado, no entanto, ainda é imprevisível.

A prorrogação da CPMF foi aprovada em dois turnos na Câmara e já está a caminho do Senado. A primeira barreira será o Democratas, já que a senadora Kátia Abreu (DEM-GO), relatora da PEC, vai usar ao máximos o prazo que tem (30 dias) para postergar a votação. O governo avalia que, quanto mais tempo demorar, mais risco de derrota haverá.   Continuação...