10 de Abril de 2008 / às 18:12 / 9 anos atrás

Presidenciáveis dos EUA reagem à preocupação geral com economia

Por Caren Bohan

SOUTH BEND, Estados Unidos (Reuters) - Diante da possibilidade de perderem seus empregos e dos cada vez mais altos juros de hipoteca e preços da gasolina, os eleitores norte-americanos desejam que seu próximo presidente dê ouvido a suas reclamações e coloque a economia de volta nos trilhos.

Enquanto a economia norte-americana caminha para uma possível recessão, todos os três principais nomes da corrida presidencial, o republicano John McCain e os democratas Hillary Clinton e Barack Obama, alegam falar pelos eleitores da classe média cuja renda real ficou durante anos estagnada para depois começar a cair, enquanto os muito ricos ficavam cada vez mais ricos.

Em uma recente pesquisa da CBS e do The New York Times, 81 por cento dos eleitores disseram que o país encontrava-se atualmente no caminho errado. A cifra de insatisfeitos não tem precedentes. E 78 por cento deles afirmaram que a situação era atualmente pior do que cinco anos atrás.

Os presidenciáveis repetem as opiniões de eleitores como Marvin Kline, 61, para quem uns poucos privilegiados beneficiam-se enquanto a classe média passa por um aperto.

Em uma conversa com Obama no Surise Cafe, em South Bend (Indiana), Kline afirmou ter sido demitido após trabalhar quase 40 anos em uma fundição. Dois anos atrás, a fábrica fechou e mudou-se para o exterior. Kline vive atualmente de sua aposentadoria.

“Essas fábricas se foram e isso está acontecendo todos os dias. E tudo por causa da ganância das empresas -- para o sr. ver quanto dinheiro se pode faturar nas costas do povo norte-americano”, disse.

O sentimento de injustiça não se limita aos que perderam seus empregos.

Mary Magargee, uma professora de 63 anos que compareceu a um comício de Obama na quarta-feira, em Malvern (Pensilvânia), disse achar chocante que os altos executivos do setor petrolífero ganhem grandes somas de dinheiro enquanto os norte-americanos pagam preços recorde por sua gasolina.

DESVANTAGEM REPUBLICANA

Historicamente, quando o país enfrenta problemas econômicos, o partido no governo encontra dificuldades para vencer as eleições.

McCain precisa encontrar uma forma de responder à indignação dos eleitores sem afastar-se dos republicanos que ainda apóiam o presidente George W. Bush.

Já Hillary e Obama não enfrentam um problema do tipo.

Em Malvern, Obama afirmou que o sonho americano “esvaía-se” e que o sistema econômico parecia ter sido montado para favorecer os ricos. “Não podemos continuar a expressar a idéia de que Wall Street (o mercado financeiro) conseguirá ter lucros enquanto as empresas reais esfacelam-se”, disse.

O pré-candidato, que pode se transformar no primeiro negro a comandar os EUA, e Hillary, que pode ser a primeira mulher a fazê-lo, disputam a vaga do Partido Democrata para as eleições presidenciais de novembro.

Hillary foi a primeira a dar um tom populista a suas intervenções, prometendo lutar pelo interesse dos caminhoneiros, operários do setor automobilístico e garçons.

Os dois democratas disseram que reverterão os benefícios fiscais concedidos por Bush à fatia mais rica da sociedade norte-americana e que vigiariam mais de perto os acordos de livre comércio.

Ambos defendem ainda uma postura mais intervencionista do governo a respeito da crise no mercado imobiliário.

Na terça-feira, McCain afirmou que apresentaria propostas para ajudar os proprietários de imóveis atingidos pela crise das hipotecas a obterem empréstimos menos penosos.

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