Irã diz que não realizará mais negociações "condescendentes"

terça-feira, 15 de julho de 2008 13:19 BRT
 

Por Mark Heinrich

VIENA, Áustria (Reuters) - O Irã comunicou a grandes potências mundiais que não mais participará de negociações "condescendentes" cujo objetivo seria acabar com seu programa nuclear, mas disse que deseja negociar um amplo acordo de paz e de segurança, revelou uma carta do governo iraniano que veio a público na terça-feira.

A carta do dia 4 de julho, publicada no site de um semanário francês e confirmada como autêntica por diplomatas, oferecia a resposta do Irã a um novo pacote de incentivos elaborado por seis potências mundiais a fim de convencer o país islâmico a abrir mão de seu programa de enriquecimento de urânio.

Essas potências suspeitam que os iranianos utilizarão o programa para desenvolver armas atômicas. O Irã nega a acusação e diz que seu programa visa exclusivamente à produção de eletricidade.

A carta do governo iraniano ignorou a exigência feita pelas potências envolvidas -- EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China -- sobre a suspensão dos esforços de enriquecimento de urânio, mas deixava claro que o país queria dar início a negociações.

"Não pretendemos mudar de caminho", afirmou a versão em inglês da carta assinada pelo ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, ao referir-se aos esforços do país para dominar a tecnologia de produção de combustível para usinas nucleares.

O Irã afirma que seu programa permitirá aumentar a exportação de petróleo. Mas, em virtude dele, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) já impôs três pacotes de sanções contra o país.

"Chegaram ao fim os tempos de negociar desde uma posição condescendente de desigualdade", escreveu Mottaki, citando "nossa falta de confiança (devido) ao comportamento dúbio de algumas grandes potências" ainda afeitas a uma postura mental de tipo colonialista.

"O mundo mudou. ... O povo do Irã elaborou seus planos para o avanço do país sem pedir ajuda a terceiros", afirmou a carta.   Continuação...