May 1, 2008 / 8:50 PM / 9 years ago

Bolívia nacionaliza mais quatro empresas de energia

4 Min, DE LEITURA

LA PAZ (Reuters) - A Bolívia nacionalizou na quinta-feira quatro empresas energéticas, sendo três por decreto e uma num acordo com a espanhola Repsol.

A estatal local YPFB pagou à Repsol 6,3 milhões de dólares pelo controle acionário da Repsol Andina, uma das maiores empresas de energia da Bolívia.

O anúncio ocorre exatamente dois anos depois de o presidente esquerdista Evo Morales ter lançado o programa de nacionalização do gás e do petróleo. Na quinta-feira, o presidente esquerdista decretou a estatização do controle da Chaco (até então pertencente às empresas BP e Pan American Energy) e da Transredes (que administra gasodutos e pertencia à Ashmore Energy).

As negociações entre o governo e as empresas não levaram a um acordo, e não está claro ainda quanto o governo vai pagar por elas.

Em um anúncio publicado na imprensa, o governo anunciou também ter completado a aquisição da empresa CLHB, de armazenamento e transporte de combustíveis, que pertencia a grupos da Alemanha e Peru.

A Bolívia tem a segunda maior reserva sul-americana de gás natural, depois da Venezuela, e fornece o produto para Brasil e Argentina.

Pelo acordo assinado no Palácio Quemado (sede do governo), a YPFB agora controla 51 por cento da Andina e dividirá a administração com a Repsol.

A Repsol possuía 50,0024 por cento das ações da Andina e vendeu 1,08 por cento à Bolívia por 6,3 milhões de dólares.

A Andina explora 18 pequenos campos de petróleo e gás, além de possuir metade de dois grandes campos de gás natural, o San Antonio e o San Alberto, que são operados pela Petrobras.

"Este contrato significa um maior entendimento entre os dois países, Espanha e Bolívia", disse Morales, repetindo mais uma vez que seu país procura parceiros para desenvolver o setor energético, e não para ser donos dos recursos.

A Repsol tem outras empresas energéticas na Bolívia além da Andina.

A Chaco, a Transredes e a Andina foram criadas quando a YPFB privatizou a maior parte das suas operações, em 1996. As empresas estrangeiras assumiram 50 por cento das ações e o respectivo controle administrativo. O resto das ações ficou na mão de fundos estatais de pensão, recentemente reincorporados ao patrimônio da YPFB.

A Chaco opera 22 campos de petróleo e gás e investe em projetos destinados a aumentar a exportação de gás para a Argentina.

A Transredes controla a parte boliviana do gasoduto Santa Cruz-São Paulo, por onde passam diariamente 30 milhões de metros cúbicos de gás distribuídos no Brasil. A empresa também opera alguns gasodutos internos.

Reportagem de Carlos Quiroga

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