CIA diz ter gravado interrogatórios, mas destruído fitas

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 08:45 BRST
 

Por Randall Mikkelsen

WASHINGTON (Reuters) - A CIA admitiu na quinta-feira ter gravado em vídeo o interrogatório de suspeitos de terrorismo, com técnicas que críticos consideram formas de tortura, mas disse que depois destruiu as fitas.

Michael Hayden, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), disse em carta aos funcionários que as gravações começaram a ser feitas em 2002, como parte de um programa secreto de detenções e interrogatórios iniciado com a prisão de Abu Zubaydah, dirigente da Al Qaeda.

As gravações foram abandonadas naquele mesmo ano, e as fitas foram destruídas em 2005, segundo Hayden.

"As fitas constituíam um sério risco à segurança. Se alguma vez vazassem, permitiriam a identificação de colegas da CIA que haviam servido no programa, expondo-lhes e a suas famílias a retaliações da Al Qaeda e de seus simpatizantes", disse Hayden na carta, à qual a Reuters teve acesso.

Ele disse que resolveu falar do programa por causa de reportagens sobre o assunto que serão publicadas em breve. De fato, na quinta-feira, o jornal The New York Times escreveu sobre as gravações em seu site.

No mês passado, num caso paralelo, a CIA havia finalmente admitido que possuía gravações de interrogatórios que haviam sido solicitadas no julgamento de Zacarias Moussaoui, suposto mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001.

O democrata Patrick Leahy, presidente da Comissão de Justiça do Senado, disse que a destruição das fitas é mais um aspecto perturbador do programa de interrogatórios. "O dano é agravado quando tais ações são escondidas", afirmou ele em nota.

O programa de detenção e interrogatórios foi confirmado em 2006 pelo presidente George W. Bush. Graças a ele, suspeitos são submetidos a métodos duros de interrogatório, como a simulação de afogamento.

Parlamentares norte-americanos, ONGs de direitos humanos e vários governos estrangeiros consideram essa simulação de afogamento uma forma de tortura. Acredita-se que três presos "de alto valor" da CIA tenham sido submetidos à simulação, que teria deixado de ser empregada nesse programa em 2003.