Prodi perde votação no Senado e renuncia, oposição quer eleições

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 19:25 BRST
 

Por Stephen Brown e Robin Pomeroy

ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, perdeu na quinta-feira o voto de confiança no Senado e entregou sua renúncia ao presidente do país, levando o líder da oposição Silvio Berlusconi a pedir eleições imediatas.

"Agora queremos ir à votação. Diremos o que queremos fazer nos primeiros 100 dias de nosso governo", disse Berlusconi, ex-primeiro-ministro que está à frente de Prodi nas pesquisas de opinião.

Mas o presidente Giorgio Napolitano pode primeiro indicar um governo interino para reformar o complicado sistema eleitoral do país que, em 2006, colocou Prodi à frente de um governo com uma pequena liderança no Senado e uma coalizão de nove partidos que vai de católicos e comunistas.

Analistas dizem que a queda do 61o governo italiano desde a Segunda Guerra Mundial não deve prejudicar a economia, pois Prodi já andava mais ocupado com sua sobrevivência política do que com qualquer reforma. Eles dizem esperar que a reforma eleitoral cure a crônica instabilidade italiana.

"Esta não é necessariamente uma má notícia, tudo depende do que vem depois de Prodi", disse o economista Marco Valli, da Unicredit MIB. "Os mercados não gostam de incerteza, mas se o que se seguir a Prodi for um governo mais forte, então poderia ser positivo."

O mandato de Prodi foi marcado por disputas internas da sua coalizão de centro-esquerda. O golpe final foi a saída, nesta semana, de um pequeno partido católico, que garantia a maioria do governo no Senado --e sem a qual o voto de desconfiança se tornava quase inevitável.

O "Professor", como é chamado Prodi por sua origem acadêmica, já havia sido primeiro-ministro em 1998, quando deixou o cargo após ser abandonado pelos comunistas. Desta vez, ele alertou os senadores que a Itália não poderia viver um "vazio de poder" neste momento.

"A Itália corre o risco de se ver num ciclo econômico negativo que vamos enfrentar com estruturas econômicas ainda imperfeitas", disse ele num agitado debate, em que um senador deu um tapa em outro, que foi então retirado de maca do plenário.

Nem o apoio de senadores não-eletivos pôde salvar Prodi, que acabou perdendo por 161 votos a 156.