Líder oposicionista do Zimbábue diz que Mugabe será rejeitado

quinta-feira, 26 de junho de 2008 11:19 BRT
 

Por Nelson Banya

HARARE (Reuters) - O líder oposicionista Morgan Tsvangirai, do Zimbábue, afirmou na quinta-feira que não seria possível realizar negociações com o presidente Robert Mugabe se o governo realizar de fato as eleições previstas para o dia seguinte e das quais participaria apenas o dirigente.

Segundo Tsvangirai, caso se declare presidente e estenda mais uma vez seu governo, iniciado 28 anos atrás, Mugabe acabaria por ser rejeitado na qualidade de um líder ilegítimo responsável por assassinar seu próprio povo.

A figura de maior destaque da África, Nelson Mandela, acrescentou sua voz ao coro surgido no continente e na comunidade internacional condenando a violência e o caos no Zimbábue. Mandela não costuma mais se manifestar sobre questões políticas e o fato de tê-lo feito aponta para a preocupação existente no continente com a situação daquele país.

Mugabe e seus aliados continuam a resistir, no entanto, afirmando que o pleito deve ocorrer por força de lei.

O vice-ministro zimbabuano da Informação, Bright Matonga, afirmou ao canal de TV Al Jazeera: "As pessoas vão votar amanhã. Não há como voltar atrás nisso. Tsvangirai deveria estar fazendo campanha em vez de impor condições a Mugabe".

A polícia do Zimbábue acusou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de apoiarem uma campanha de Tsvangirai de interromper as eleições de sexta-feira pelo uso da violência.

"É evidente que o oposicionista MDC tem planos de atrapalhar as eleições. Essas atividades criminais contraproducentes serão enfrentadas pela força da lei", disse o comissário assistente da polícia, Faustino Mazango. Ele disse que a conspiração foi revelado após a prisão de cinco pessoas na quarta-feira.

O líder oposicionista, que no domingo passado retirou-se do segundo turno das eleições presidenciais e buscou abrigo na embaixada da Holanda, tentou aumentar as pressões quando disse a Mugabe que as chances dele de negociar uma saída para a catastrófica crise surgida no Zimbábue acabariam na sexta-feira.   Continuação...

 
<p>Grupo de cerca de 300 pessoas pede abrigo na embaixada sul-africana em Harare. Seguidoras do MDC, o partido de oposi&ccedil;&atilde;o, elas temem retalia&ccedil;&otilde;es por parte do governo de Robert Mugabe. Tsvangirai, o l&iacute;der do partido, que desistiu do segundo turno das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais no domingo, disse que o povo do Zimb&aacute;bue n&atilde;o aceitar&aacute; que Mugabe continue no poder. Photo by Philimon Bulawayo</p>