Preço dos alimentos pode ampliar desnutrição na AL, diz FAO

terça-feira, 15 de abril de 2008 16:54 BRT
 

Por Raymond Colitt

BRASÍLIA (Reuters) - Os governos dos países latino-americanos precisam adotar medidas para evitar que a alta global no preço dos alimentos agrave o problema da desnutrição nessa região, afirmaram na terça-feira autoridades da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

"Há um risco de que cada vez mais pessoas deixem de ter condições de adquirir alimentos básicos, aumentando a subnutrição nessa área do planeta", disse Fernando Soto, chefe regional de política para a FAO.

Os países americanos de baixa renda e importadores de alimentos -- a maior parte deles na América Central -- são os mais vulneráveis, disse Soto em meio a uma conferência da FAO sobre a América Latina e o Caribe.

Em todo o mundo, o pão, o leite e outros tipos de comida tornaram-se mais caros, incentivando a inflação em alguns países.

Distúrbios de rua provocados no Haiti pela alta dos preços do arroz, feijão e outros alimentos levaram à deposição do governo haitiano no sábado.

A América Latina produziu 40 por cento mais comida do que precisava, mas o problema é o desequilíbrio na distribuição de renda, disse José Graziano, representante da FAO para a América Latina e o Caribe.

"Não deveria haver uma única pessoa faminta na América Latina, mas ainda assim há 50 milhões de desnutridos", afirmou Graziano.

O Haiti era o único país da região com uma crise de alimentos tal que precisou de ajuda internacional imediata, observou o representante da FAO.   Continuação...