China torna-se importador líquido de alimentos no 1o semestre

quinta-feira, 21 de agosto de 2008 15:52 BRT
 

Por Jonathan Lynn

GENEBRA (Reuters) - Na primeira metade deste ano, em termos de valores monetários, a China importou mais alimentos do que exportou, uma vez que a disparada do preço dos alimentos reverteu seu tradicional superávit na área de produtos agrícolas.

A mudança para a condição deficitária reflete o aumento no preço de commodities como os grãos, entre os quais a soja.

Mas também coloca sob uma luz interessante a postura da China nas negociações malsucedidas do mês passado sobre o comércio global.

Naquele processo, o governo chinês, cada vez mais preocupado com garantir seu fornecimento de comida, ficou ao lado da Índia e contra os EUA ao defender a aprovação de um mecanismo de defesa para proteger os agricultores de países em desenvolvimento ameaçados pela eventual invasão de produtos importados.

Segundo a Global Trade Global Trade Information Services Inc (GTIS), a China registrou um déficit de 5,78 bilhões de dólares na balança dos produtos agrícolas, na primeira metade deste ano, contra um superávit de 2,45 bilhões de dólares um ano antes. O valor dos produtos importados elevou-se 72 por cento, ao passo que o dos exportados subiu apenas 12 por cento.

A GTIS fornece e analisa dados sobre o comércio internacional.

As informações dizem respeito ao desempenho do mercado nas categorias de 1 a 24 do sistema harmonizado (HS), usado internacionalmente para classificar os produtos. Essas categorias incluem derivados de animais, derivados de vegetais e alimentos, entre os quais ração para bichos e comida para pessoas.

Naquele período, as importações dos EUA, maior fornecedor de produtos agrícolas da China, quase dobraram de tamanho. As vindas do Brasil elevaram-se 95 por cento e as da Argentina, 132 por cento -- esses são os dois próximos maiores fornecedores dos chineses.   Continuação...